Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Testemunha da morte de espião russo também morre envenenada

Quinta, 07 de Dezembro de 2006 às 11:24, por: CdB

Uma das testemunhas russas interrogadas pela Scotland Yard em Moscou como parte da investigação sobre o assassinato do ex-espião Alexander Litvinenko foi vítima de um envenenamento com elementos radioativos, informou nesta quinta-feira a procuradoria russa em um comunicado. "O ex-segurança da KGB Dmitry Kovtun teve diagnosticada uma doença vinculada ao envenenamento com material radioativo", afirmou o texto.

Outra vítima de envenenamento, o ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar disse nesta quinta-feira que inimigos do Kremlin provavelmente tentaram matá-lo durante uma viagem a Dublin no mês passado, em ação que ele comparou a um "thriller político". Em artigo escrito ao diário londrino Financial Times sobre como foi afetado por uma doença misteriosa que provocou sangramento pelo nariz e pela boca, ele disse que as circunstâncias apontam para envenenamento.

"Encontrei-me envolvido em uma sucessão de eventos que lembram um thriller político", escreveu Gaidar, de 50 anos, ex-premiê e que agora é um influente acadêmico. Ele desmaiou durante uma conferência em uma universidade irlandesa no dia 24 de novembro, um dia depois da morte por envenenamento do ex-espião russo Alexander Litvinenko, crítico do Kremlin, em um hospital de Londres.

"Quem me socorreu quando eu estava caído me viu sangrando pelo nariz, com sangue e vômito saindo de minha boca. Eu estava pálido e inconsciente. Parecia que estava morrendo", disse Gaidar, que afirmou ter começado a sentir-se mal depois de comer fruta e tomar chá no café da manhã.

Na manhã seguinte, ele recobrou a consciência e saiu do hospital. Ele voltou para a Rússia, onde passou por tratamento. Segundo o porta-voz de Gaidar, os médicos russos responsáveis pelo tratamento disseram que a doença provavelmente foi causada por um fator tóxico, mas não usaram o termo "envenenamento" -- apesar da suspeita de Gaidar.

"Umas das explicações possíveis que uma mente não profissional inevitavelmente encontra nesta situação é envenenamento. Se foi tentativa de assassinato, foi por causa de política. Rejeitei a idéia de cumplicidade da liderança russa quase imediatamente. Depois da morte de Alexander Litvinenko, no dia 23 de novembro, em Londres, outra morte violenta de um russo famoso no dia seguinte é a última coisa que as autoridades russas gostariam de ver. Provavelmente isso significa que alguns adversários ocultos e óbvios das autoridades russas estão por trás das cenas neste caso - aqueles interessados em mais deterioração radical das relações entre a Rússia e o Ocidente", diz o artigo.

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