Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Tesouros, clássicos, raridades no cinema brasileiro...

Terça, 03 de Maio de 2005 às 00:49, por: CdB

O programa Tesouros Brasileiros, exibido pelo Canal Brasil e apresentado pela simpática Zezé Motta, só exibe "produções clássicas e raras do cinema brasileiro". Pelo menos é o que explica Zezé logo no começo, antes de falar a sinopse e alguma curiosidade sobre o filme que será exibido em seguida.
 
Mas como assim produções clássicas e raras? Um filme clássico não pode ser raridade. Por mais velho que seja, não deixa de ser um clássico, referencial para uma época. Como um filme raro pode ter se tornado um clássico? Ou ainda, como um clássico pode ter se tornado um filme raro? Será possível? No Brasil, mais precisamente, no cinema brasileiro, tudo pode acontecer. Mas a situação nos leva a perguntar o que seria um clássico e um filme raro no cinema brasileiro?
 
O Aurélio nos informa que clássico, o adjetivo, pode ser, entre outras coisas:
 
1. Da mais alta qualidade; modelar, exemplar.
2. Cujo valor foi posto à prova do tempo; antigo.
3. Famoso por se repetir ao longo do tempo; tradicional.
 
Então, se um clássico é algo exemplar, que sobreviveu com vigor ao longo das décadas e sempre passou em reprises, ou mostras ou qualquer tipo de retrospectiva que justifique a repetição, como pode ser raro? Penso que clássicos se tornam clássicos porque são citados por seus feitos e, obviamente, assistidos, assimilados.
 
Quando o filme deixa de existir, perde o estatuto de clássico e torna-se uma lenda, ou uma raridade. É o caso de A sombra da outra, tido como maior filme autoral de Watson Macedo e perdido em um incêndio. Se existisse, certamente seria tido como um clássico. O mesmo sobre Fazendo fita, de Vittorio Capellaro ou boa parte da produção de Luis de Barros e Antonio Leal.
 
São clássicos (e não raros): Limite, de Mário Peixoto, Ganga bruta, de Humberto Mauro, Alô, Alô Carnaval!, de Adhemar Gonzaga, Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, O bandido da luz vermelha, de Rogério Sganzerla, entre outros.
 
São raros (e não clássicos): qualquer filme que tenha sido perdido ou se tornado vítima de incêndios, boicotes e picaretagem de produtores, nunca conhecendo o formato VHS ou tendo sido vendido para canais de TV. Daí a lista não termina tão cedo, sendo os mais sentidos Carnaval no fogo (cuja cópia restante se encontra na forma de um quebra-cabeças desde que pegaram trechos para fazer um documentário horripilante chamado Assim era a Atlântida, de Carlos Manga); Inconfidência mineira (única produção dirigido por Carmem Santos) e Gigante de pedra, de Walter Hugo Khouri.   

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Quem assistiu ao Tesouros Brasileiros exibido na última segunda-feira pôde assistir a, de fato, um filme raro e até visionário, mas longe de ser um clássico. Trata-se de Com a sogra em Paquetá, de Saul Lachtermacher. Apesar de trazer alguma importância em sua previsível existência, a produção também está longe de ser um Tesouro. 
 
Produzido e lançado em 1960, Com a sogra em Paquetá trazia o estreante Lachtermacher em um terreno fértil para a época, a chanchada. Como dialogüista e argumentista, Alinor Azevedo, um dos fundadores da Atlântida Cinematográfica e um nome de suma importância no cinema brasileiro. E é a partir daí que a fita começa a despertar algum interesse. 
 
O vazio ao qual esse filme foi arremessado, o excluindo da condição de clássico, pode começar a ser justifica

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