O Tesouro Nacional abriu mão de divulgar uma meta de captações no mercado externo para o próximo biênio, levando em conta a redução das necessidades de financiamento do Brasil e o programa de fortalecimento das reservas internacionais.
- Em função de todas as recompras que foram feitas... nós temos uma necessidade de financiamento externo muito menor do que já foi em anos anteriores. Em segundo lugar, nós temos uma situação de balanço de pagamentos mais confortável e que permite que nós possamos atender a nossa necessidade de financiamento externo em dólares preferencialmente via aquisições no mercado doméstico de divisas - afirmou nesta terça-feira o secretário do Tesouro, Carlos Kawall.
Kawall acrescentou que as emissões em moeda estrangeira terão "natureza qualitativa" e que o país pretende voltar a emitir bônus da República em reais no mercado externo para cobrir parte das necessidades de financiamento em 2007/2008. De acordo com o Tesouro, o programa de resgates antecipados de títulos será mantido, desde que as condições de mercado permitam a realização desse tipo de operação. O secretário do Tesouro afirmou ainda que o governo tem "a cautela de reconhecer que a situação de hoje pode não perdurar eternamente".
- Mas, na outra ponta, os exercícios que nós temos feito mostram que, com um volume de aquisição de divisas muito menor do que tem ocorrido nos últimos tempos, incluindo o processo de acúmulo de reservas pelo Banco Central, nós podemos atender as necessidades de financiamento sem necessariamente fazermos emissões. Poderemos fazer emissões, não necessariamente ocorrerá nos volumes anteriores - ponderou.
A necessidade líquida de moeda para 2007 é de US$ 8,931 bilhões. Para 2008, essa necessidade é de US$ 7,332 bilhões, conforme documento divulgado pelo Tesouro. Esses montantes consideram a previsão de entrada de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (Bird) de cerca de US$ 3 bilhões, em 2007, e de US$ 2,2 bilhões, em 2008.