Augustin, em entrevista aos jornalistas, detalhou a intenção de compra dos títulos
O Tesouro Nacional abriu nesta quarta-feira emissão de novos títulos em dólar com vencimento em janeiro de 2045 e anunciou a recompra de bônus com vencimentos entre 2024 e 2041, numa operação semelhante à feita no final do ano passado, com o objetivo de melhorar a curva de juros dos papeis brasileiros. Segundo fonte com conhecimento do assunto, a operação com o novo título acontecerá nos mercados norte-americano e europeu. O Tesouro poderá estendê-la para a Ásia, mas isso dependerá de avaliações. Em nota divulgada mais cedo, o Tesouro Nacional informou que "o objetivo da operação é melhorar a eficiência da curva denominada em dólares", sem informar ainda o montante que pretende emitir e recomprar.
"(A operação) cria um novo ponto na curva e troca papéis que já não são tão referência assim", disse a fonte à agência inglesa de notícias Reuters.
Atualmente, existe no mercado total de US$ 11,9 bilhões em títulos vencendo em 2024, 2025, 2027, 2030, 2034, 2037 e 2041.
Em outubro passado, o Tesouro fez uma operação semelhante, quando recomprou o equivalente a US$ 2,192 bilhões em bônus emitidos no exterior com vencimentos entre 2017 e 2030, usando parte dos novos bônus emitidos como forma de pagamento.
Ao todo, o país emitiu US$ 3,25 bilhões em novo Global com vencimento em janeiro de 2025 naquele momento.
O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, já havia afirmado que estava sendo analisada a possibilidade de o governo lançar bônus em dólar com prazo mais longo, de 30 anos, e que uma emissão de títulos em iene continuava em perspectiva.
Segundo a fonte, que pediu anonimato, apesar de a emissão em iene não ter sido concretizada desta vez, "não quer dizer que saiu do radar".
Uma segunda fonte com conhecimento da operação informou que os mandatários da emissão serão Deutsche Bank, Itaú BBA e Bank of America Merrill Lynch. Essa fonte explicou que os bancos estão começando a sondar investidores com potencial spread de 2 pontos percentuais acima da taxa de juros do Treasury equivalente para a emissão.
A última vez que o Brasil foi ao mercado internacional foi em março, com a emissão de 1 bilhão de euros em novo bônus com vencimento em 1º de abril de 2021.
Arrecadação
O anúncio da troca de títulos chegou embalado pela notícia de que a arrecadação federal atingiu, em junho, R$ 91,387 bilhões, praticamente estável em termos reais em relação a igual período do ano anterior, após forte queda em maio, ainda afetada pela desaceleração da economia e por renúncia tributária, informou a Receita Federal nesta quarta-feira. Pesquisa da Reuters feita com analistas mostrou que a mediana das expectativas era de que a arrecadação somaria R$ 90 bilhões no mês passado, com as projeções variando entre R$ 80 bilhões e R$ 92 bilhões. Em junho o recolhimento de impostos e contribuições foi afetado pela queda na produção industrial e pela baixa expansão da venda de bens e serviços, segundo do fisco federal.
Também pesou no resultado do mês passado a renúncia tributária de 8,545 bilhões de reais. Ainda assim a arrecadação conseguiu uma variação positiva de 0,13 por cento sobre maio.\
No mês, os principais tributos federais seguiram com baixo desempenho, com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação e o PIS/Pasep apresentando queda real em comparação a igual mês do ano passado de 2,79 por cento, 13,89 por cento e 1,63 por cento, respectivamente. Outros tributos também tiveram variação negativa.No acumulado do ano até junho, a arrecadação somou R$ 578,594 bilhões, com aumento real de apenas 0,28 por cento em relação a igual período de 2013. No período, a renúncia tributária por desonerações diversas atingiu R$ 50,705 bilhões.
Neste cenário adverso, em um momento em que a presidente Dilma Rousseff tenta a reeleição, o governo tem ampliado o esforço para cumprir a meta de superávit primário (economia feita para pagamento de juros da dívida) deste ano, de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até maio, último dado disponível, essa economia estava em 1,52 por cento do PIB, aquém do objetivo estipulado para este ano. Após esse resultado fiscal, o Relatório de Despesas e Receitas divulgado na véspera pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento mostrou que o governo voltou a inflar a previsão de receita extraordinária para reforçar o caixa da União, prevendo R$ 27,016 bilhões entre julho e dezembro, acima dos pouco mais de R$ 24 bilhões esperados para o período de maio a dezembro.
Em uma trajetória descendente que já dura oito semanas, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 caiu a 0,97 por cento na pesquisa Focus do BC divulgada na segunda-feira, contra 1,05 projetado anteriormente. No ano passado, o PIB cresceu 2,5 por cento.
Fuga de dólares
Ainda segundo outro relatório do Banco Central, distribuído nesta manhã, as saídas de dólares do país superaram as entradas em US$ 4,039 bilhões, neste mês, até o último dia 18. Na semana passada, o saldo positivo em US$ 1,388 bilhão não foi suficiente para mudar o resultado negativo parcial do mês.
A maior parte do saldo negativo de julho, até o dia 18, veio do segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações), com registro de US$ 3,617 bilhões. Já o fluxo comercial (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações) apresentou saldo negativo de US$ 422 milhões.
De janeiro até a semana passada, o fluxo cambial está positivo em US$ 108 milhões. Nesse período, o fluxo financeiro registrou saldo negativo de US$ 2,361 bilhões, e o comercial, positivo em US$ 2,468 bilhões.
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