Novos atentados terroristas organizados pela rede fundamentalista Al-Qaeda são "prováveis" em uma Europa cada vez mais vulnerável e carente de consenso, previu o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) no seu informe 2004 publicado nesta terça-feira.
A Grã-Bretanha e o sul do continente, principalmente Atenas, cidade sede das próximas Olimpíadas, podem ser os próximos alvos terroristas, advertiu o centro de estudos estratégicos sediado em Londres.
Antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o continente europeu era utilizado pela rede Al-Qaeda para atividades ligadas ao "recrutamento, à organização e ao abastecimento", destaca o informe do IISS.
A melhora da segurança interna nos Estados Unidos "aumentou o risco de que a Europa se torne um objetivo direto", segundo o IISS.
Os atentados de Madri, que deixaram 191 mortos em 11 de março, foram cometidos por marroquinos liderados por um tunisiano, o que evidencia "a vulnerabilidade da Europa perante as infiltrações terroristas da região mediterrânea", avisa o centro de estudos estratégicos.
O ataque contra os trens da capital espanhola tinham como objetivo atingir um aliado dos Estados Unidos no Iraque. De acordo com o IISS, a reação provocada pelos atentados na Espanha - onde o Partido Popular, que era favorito, perdeu as eleições três dias depois - "sugere que novos ataques terroristas poderiam enfraquecer o apoio de outros aliados aos Estados Unidos".
Por este motivo, parece "provável" que novos atentados sejam cometidos na Europa, uma vez que a rede Al-Qaeda procura atingir os aliados dos Estados Unidos, como as já atacadas Arábia Saudita, Turquia e Espanha.
Com base nesta teoria, o IISS concluiu que o alvo mais lógico seria agora a Grã-Bretanha.
O sul da Europa e os Balcãs, "zonas próximas ao Oriente Médio, com fronteiras permeáveis", também são áreas de risco.
O IISS lembrou que os atentados que causaram 47 mortos em Istambul em novembro de 2003 tinham como objetivo os interesses europeus, e expressou sua "grave preocupação" com a eventualidade de um atentado durante as Olimpíadas de Atenas.
Enquanto que a Europa está mais do que nunca ameaçada pelo terrorismo, parece faltar a seus dirigentes "uma visão da Europa capaz de suscitar um apoio popular duradouro", segundo o centro de estudos londrino.
Além disso, a guerra no Iraque criou novos antagonismos. O IISS menciona no seu informe as oposições entre "atlantistas e europeístas", entre a "velha" e a "nova" Europa e "entre as elites políticas e as opiniões públicas".
As divergências entre os países europeus, que poderiam ter sido niveladas depois da guerra do Iraque, surgiram novamente no final de 2003 sobre temas como a política de segurança, o debate sobre a Constituição da União Européia (UE) e os projetos de harmonização fiscal.
A UE demonstrou em 2004 sua capacidade de realizar "a inevitável ampliação". As diferenças atuais entre os países europeus não devem ocultar o fato de que a UE é a "organização supranacional mais avançada e com mais sucesso do mundo", lembrou o IISS.
Além disso, "algumas das conseqüências dos atentados de Madri foram a aceleração dos esforços da UE para compartilhar informações, uma maior cooperação policial entre os países e a elaboração de uma política antiterrorista".
Esta política poderá se beneficiar da "experiência européia sobre as redes norta-africanas", considerou o centro de estudos estratégicos.