Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Terror mata cerca de 80 no Iraque

Rebeldes contrários à ocupação norte-americana do Iraque atacaram cinco cidades nesta quinta-feira em ações coordenadas contra as forças de segurança, matando cerca de 75 pessoas, entre as quais três soldados dos EUA. Mais de 200 pessoas ficaram feridas. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Junho de 2004 às 06:54, por: CdB

Rebeldes contrários à ocupação norte-americana do Iraque atacaram cinco cidades nesta quinta-feira em ações coordenadas contra as forças de segurança, matando cerca de 75 pessoas, entre as quais três soldados dos EUA. Mais de 200 pessoas ficaram feridas.

A violência em Baquba, Falluja, Ramadi, Mosul e na capital Bagdá significou a intensificação da campanha realizada por insurgentes iraquianos e ativistas estrangeiros para sabotar a transição de poder no país. Dentro de seis dias, um governo provisório composto por iraquianos deve assumir o poder. 

Em Mosul (390 quilômetros ao norte de Bagdá), atentados múltiplos com carros-bomba atingiram prédios da polícia, matando ao menos 44 pessoas e ferindo 216, disse o Ministério da Saúde.

Confrontos na Província Anbar, onde estão Falluja e Ramadi, deixaram ao menos nove mortos e 27 feridos. Enfrentamentos ao redor de Baquba mataram 13 pessoas e feriram 15, afirmou o ministério.

Pelo menos quatro membros da guarda nacional do Iraque foram mortos e dois civis ficaram feridos em um atentado com carro-bomba no sul de Bagdá, disseram as forças de segurança. Membros de um hospital afirmaram que cinco pessoas tinham sido mortas na cidade.

Um mínimo de sete explosões atingiu Mosul, depois do que o governo mandou as pessoas ficarem em casa. A polícia bloqueou as principais vias de acesso à cidade e anunciou um toque de recolher.

Além das vítimas iraquianas, um soldado norte-americano foi morto e três ficaram feridos nas explosões. Vários tiroteios aconteceram em Mosul enquanto os insurgentes enfrentavam soldados das forças de ocupação e policiais iraquianos. 

Grupos de homens armados e mascarados, alguns se dizendo fiéis ao ativista jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, atacaram uma estação policial e outros prédios do governo em Baquba, em uma ação ocorrida ao amanhecer.

Um porta-voz das Forças Armadas dos EUA disse que dois militares da superpotência foram mortos em uma emboscada. Os norte-americanos responderam com ataques aéreos depois de os homens armados terem invadido um centro municipal e terem atacado outro prédio do governo. Dois insurgentes foram mortos.

Muitos dos combatentes usavam faixas amarelas na cabeça nas quais se lia o nome Saraya Al Tawhid e Jihad (Batalhões da Unificação e da Guerra Santa). Eles distribuíram panfletos avisando os iraquianos para que não "colaborassem" com os norte-americanos. "A carne dos colaboradores é mais saborosa do que a dos norte-americanos", diziam os panfletos.

O grupo Jama'at Al Tawhid e Jihad, de Zarqawi, assumiu a responsabilidade por vários ataques recentes realizados no Iraque, entre os quais a decapitação, nesta semana, de um refém sul-coreano.

Em Falluja, os rebeldes travaram um violento conflito com fuzileiros norte-americanos por duas horas. Os fuzileiros acabaram se retirando e, segundo uma autoridade, um cessar-fogo foi selado. Um helicóptero Cobra, dos EUA, foi derrubado durante o combate na cidade, mas a tripulação não se feriu, disseram os fuzileiros.

O brigadeiro general Mark Kimmitt, vice-diretor de operações para as Forças Armadas dos EUA no Iraque, disse, ao anoitecer, que os combates haviam sido encerrados em quase todas as cidades. "Com exceção do que estamos vendo em Baquba, a maior parte das cidades parece estar sob controle agora", afirmou.

Um oficial das Forças Armadas norte-americanas disse que combatentes fiéis ao ex-ditador Saddam Hussein, e não seguidores de Zarqawi, haviam realizado os ataques. O oficial, porém, não justificou sua afirmativa.

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