A disputa sobre o destino de Terri Schiavo chegou perto do fim neste domingo, conforme a mulher da Flórida com danos cerebrais aproxima-se da morte e após seus pais terem desistido da longa e difícil batalha legal para prolongar sua vida.
"Não estou dizendo que não estaremos abertos a idéias. Mas neste ponto, parece que o prazo finalmente acabou", disse no final de sábado David Gibbs, advogado dos pais de Schiavo, segundo reportagem de domingo do jornal St. Petersburg.
O tubo de alimentação que manteve Schiavo viva durante 15 anos foi retirado em 18 de março por ordem de uma corte estadual, levando os pais, Bob e Mary Schindler, a lançarem esforços para retomar a alimentação da filha.
O caso envolveu o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, seu irmão, o governador da Flórida, Jeb Bush, e o Congresso norte-americano.
Mas uma série de recusas judiciais, incluindo da Suprema Corte dos EUA, encerraram a disputa legal de sete anos dos pais com o marido e guarda legal de Schiavo, Michael Schiavo, sobre a vida ou a morte da mulher.
Uma apelação recusada no sábado pela Suprema Corte da Flórida foi provavelmente a última oportunidade legal para mantê-la viva, disse Gibbs.
Uma corte estadual determinou em 2000 que Schiavo deveria ter permissão para morrer. O tribunal declarou que ela estava em "estado vegetativo persistente" desde que sofreu um ataque cardíaco que privou seu cérebro de oxigênio em 1990. A corte deu razão ao marido, determinando que ela não gostaria de viver naquelas condições.
Gibbs disse que a esperança que resta está nas mãos de Deus.
"Sempre esperamos que de alguma maneira Deus pudesse tocar Terri para fazê-la falar e dizer: 'Me dê comida"', disse o advogado.
Bob Schindler pediu para os simpatizantes continuarem sua vigília na frente do centro médico onde a filha está sendo mantida. Antes ele dissera para eles irem para casa e para celebrarem a Páscoa com as famílias.
"Eu quis dizer que as pessoas deveriam ir para casa, para a igreja, com suas famílias no Domingo de Páscoa", disse Schindler em comunicado divulgado no final do sábado por um porta-voz da família, Gary McCullough.
"Mas não para ficarem em casa. Queremos que as pessoas continuem aqui com Terri, e conosco."
Os Schindlers, que são católicos romanos praticantes, atraíram apoio apaixonado de cristão conservadores, ativistas pelo direito à vida e contrários ao aborto. Centenas de pessoas se concentraram no sábado na frente do hospital Pinellas Park, na Flórida.
Os Schindlers disseram que sua filha está morrendo de maneira "bárbara".
Mas o advogado de Michael Schiavo, George Felos, disse que Terri está em paz e ainda tem alguns dias de vida.
Médicos dizem que pacientes nestas condições parecem sentir pouco, ou nenhum desconforto, quando são privados de alimento e água. Eles dizem que Schiavo vai continuar vivendo por duas semanas sem o tubo de alimentação.
Uma pesquisa da revista Time divulgada neste domingo afirma que a maioria dos norte-americanos que se consideram cristãos ou evangélicos concordam com a decisão de remover o tubo de alimentação. A pesquisa foi feita entre os dias 22 e 24 de março.