Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

Terremoto no Japão pode causar demissões na Honda do Brasil

Quarta, 18 de Maio de 2011 às 08:35, por: CdB

Metalúrgicos estão em greve pela manutenção de 1270 trabalhadores na fábrica em Sumaré (SP)

 

18/05/2011


Aline Scarso

Da redação

Fotos: João Zinclar

de Sumaré (SP)

A queda no volume de produção da matriz da automotora Honda, localizada no Japão, pode causar a demissão de 1270 trabalhadores da montadora no Brasil. A fábrica japonesa fornece equipamentos eletrônicos e câmbio para a montagem de carros e motos para vários países, incluindo o Brasil, e está produzindo com metade da capacidade depois do terremoto que atingiu o país asiático em março desde ano. Por causa disso, no Brasil, a filial deve cortar de 600 para 300 carros a produção diária da planta em Sumaré (SP), de junho a dezembro desde ano, reduzindo de três para dois turnos de produção.

Os metalúrgicos brasileiros estão em greve pela manutenção dos empregos desde a última quinta-feira (12). “A disposição dos metalúrgicos em manter os empregos é enorme. A produção está paralisada desde quinta da semana passada. Temos assembleias todos os dias às 6h, 14h e 22h e os trabalhadores não entram para trabalhar”, conta Jair dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da região de Campinas.

Segundo ele, os metalúrgicos apresentaram uma proposta de manutenção dos empregos para a empresa. De acordo com a proposta, ao invés manter os dois turnos de oito horas para a produção de 300 carros por dia, a planta poderia continuar produzindo 600 carros em três turnos de cinco horas e meia cada. Com isso, todos os empregos poderia ser mantidos. “Nessa proposta também estão previstas as férias de 400 metalúrgicos a cada mês para poder fechar a conta. Dessa forma, não haveria nenhuma demissão”, afirma.

"A Honda pode continuar produzindo 600 carros porque ela não tem problema de mercado no Brasil, mercado brasileiro continua absorvendo”, completa Jair. No entanto, segundo ele, aparentemente não existe disposição da gerência da empresa em fechar o acordo. A questão de embate seria um a pequena queda na taxa de lucro, pela proposta do sindicato.

“Para preservar os empregos, a empresa teria que reduzir só um pouco sua margem de lucro. Em média, em cada veículo produzido garante de 10% a 12% de margem de lucro para a fábrica. Na proposta de turno de cinco horas e meia, a produção de carro por trabalhador cairia de 0,18 para 0,12 por dia. O lucro retirado sobre a força de trabalho já é exorbitante, mas acontece que a Honda não quer nenhuma redução da taxa de lucro”, explica.

Entre 23 de maio a 5 de junho, os trabalhadores terão licença remunerada, o que deve acelerar as férias coletivas nas terceirizadas e as demissões. “A perspectiva de negociação está aberta, desde que seja a não demissão de trabalhadores”, conta Jair.

A queda de produção no Japão põe risco os empregos em todo o mundo. Na Argentina, segundo Jair, a situação é parecida pois a montadora também depende de produtos produzidos pela matriz. Fornecedores terceirizados da Honda no Brasil também devem despedir, em proporções ainda maiores que a montadora, caso se mantenha o cenário de corte de produção em Sumaré.

A Honda foi procurada pela reportagem do Brasil de Fato nessa terça-feira (17) e disse que responderia nossas perguntas sobre os cortes. Mas até o momento o momento da publicação não obtivemos retorno da montadora.

 

 

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