Terminou nesta quinta-feira a rebelião iniciada no fim de semana na Penintenciária de Urso Branco, em Porto Velho, capital de Rondônia, na qual nove detentos foram mortos em confrontos entre grupos rivais, informou uma autoridade de segurança do Estado.
``Oficialmente são 9 mortos, mas há informações de outros quatro corpos lá dentro'', disse á Reuters o secretário adjunto de Segurança Pública do Estado, Renato Eduardo dos Santos.
Mais cedo, a polícia havia fechado o cerco à penitenciária, a maior da cidade. De acordo com a polícia, os rebelados sentiram o corte de água de luz e a escassez de alimentos no presídio.
``Eles estão caçando gatos, mas não há muitos para alimentá-los'', disse o tenente da Polícia Militar Carlos Alberto Teixeira por telefone à Reuters antes do fim da rebelião.
Na quinta-feira, cinco presos se entregaram à polícia e abandonaram a rebelião. No dia anterior, apesar do anúncio de um princípio de acordo, as negociações fracassaram quando os presos recusaram as ofertas das autoridades.
Teixeira disse que foram descobertos três túneis que os presos estavam construindo e que abandonaram depois que blindados se aproximaram dos muros da prisão.
A rebelião se tornou sangrenta depois que nove presos morreram em choques entre grupos rivais. Alguns presos foram esquartejados e decapitados e os corpos e cabeça foram expostos nos muros do presídio.
Cerca de 850 presos se rebelaram na sexta-feira na prisão, na cidade de Porto Velho, exigindo a saída do diretor do presídio, entre outras reivindicações.
Cinco mulheres familiares dos presos, que estão de fora da prisão, participaram da comissão que negociou com os detentos, acrescentou Teixeira.
O presídio foi construído para 360 presos, mas tem quase 1.100 detentos.
Na quarta-feira, a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou em um comunicado ``sua profunda preocupação com a situação no presídio de Urso Branco'' e relembrou pedidos anteriores ao governo brasileiro para que melhore as condições das prisões do país.
Em 2002, este mesmo presídio foi palco de uma rebelião que terminou com 27 mortos devido a choques entre grupos rivais depois de uma tentativa de fuga fracassada.
A comissão da OEA destacou que nessa época pediu ao governo brasileiro que ``adotasse as medidas que fossem necessárias para proteger a vida e a integridade de todas as pessoas reclusas na Penitenciária de Urso Branco, sendo uma delas a apreensão das armas que se encontram em poder dos detentos'', disse o documento.