O cerco de três semanas à sede do governo tailandês terminou nesta terça-feira , aliviando por enquanto os temores de que uma crise política prolongada agravasse a situação econômica do país.
– Temos de parar porque precisamos cuidar das vidas dos nossos seguidores – disse Jatuporn Prompan, um dos líderes dos manifestantes "camisas vermelhas," simpatizantes do ex-premiê Thaksin Shinawatra, muito popular entre a população rural e pobre.
A grave crise política tailandesa opõe, em termos gerais, grupos monárquicos, militares e a classe média urbana contra os seguidores de Thaksin.
– No geral, não acho que seja o fim da história. Esta crise ainda tem um longo caminho pela frente – disse Danny Richards, economista-sênior da Economist Intelligence Unit, em Londres.
– Mas, em termos desse protesto propriamente dito, Abhisit (Vejjajiva, o atual premiê) conseguiu permanecer no controle, e acho que é preciso dizer que ele evitou uma grande crise de confiança em seu governo – completou.
Abhisit disse à Reuters na madrugada de terça-feira que o momento era "de vida ou morte" para seu governo, e que ele não negociaria com Thaksin. Ele acrescentou que dissolver o parlamento para convocar eleições poderia causar maior violência, mas disse que pode ouvir as solicitações dos manifestantes.
Os manifestantes haviam acampado em torno da Casa de Governo desde 26 de março, exigindo a renúncia do premiê e a convocação de eleições. Mas o primeiro-ministro recuperou parte da sua credibilidade quando, na segunda-feira, violentos confrontos entre os "camisas vermelhas" e militares num importante entroncamento viário da capital foram debelados sem maior derramamento de sangue.
Um ministro e fontes médicas disseram que duas pessoas morreram, ambas em escaramuças entre moradores e alguém que passou de moto. O Instituto Médico de Emergências disse na terça-feira que 113 pessoas, inclusive soldados, ficaram feridas.
Por causa dos distúrbios, vários países aconselharam seus cidadãos a não visitarem a Tailândia. Mas o clima festivo começou a voltar na terça-feira, quando as pessoas saíram às ruas para atirar água umas nas outras, uma tradição ligada ao Songkran, o Ano-Novo tailandês.
Termina protesto na Tailândia e premiê retoma o controle
Terça, 14 de Abril de 2009 às 06:38, por: CdB