Após ser liberado e fechado algumas vezes na manhã desta quinta-feira, o trânsito foi desobstruído na Rua Edgar Werneck, altura da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, Zona Oeste. Desde a madrugada, moradores revoltados com a morte da camareira Michele da Silva Lima, de 27 anos, fizeram manifestação na rua.
O trânsito ficou caótico e a Polícia Militar precisou usar gás de pimenta para acalmar os ânimos. A aglomeração de moradores só começou a ser desfeita quando agentes chegaram ao local para fazer a perícia. A polícia reforçou a segurança com mais viaturas nos acessos.
Por volta das 22 horas desta quarta-feira, troca de tiros entre policiais do 18º BPM e traficantes provocou a morte da camareira Michele da Silva Lima, de 27 anos, que havia acabado de chegar do trabalho e lavava as roupas da família, no quintal de casa, quando foi atingida na cabeça por tiro de fuzil calibre 7.62.
A morte deixou os moradores revoltados, acusando a PM de ser responsável pelos tiros. Em protesto, incendiaram dois carros, caçambas de lixo e pneus e interditaram a Rua Edgar Werneck. No confronto, um blindado da PM foi atacado a bomba e teve um dos pneus estourado.
A Polícia Militar disse que vai abrir inquérito para investigar a morte. Agentes do 18º BPM (Jacarepaguá) que estavam de plantão vão ser interrogados. Todos tiveram as armas apreendidas. Uma perícia será feita para saber se o tiro que matou Michele partiu de algum fuzil da PM.
Pouco antes das 3 horas da madrugada, cerca de 30 moradores foram para a Estrada do Gabinal e estenderam alguns cartazes para protestar contra a morte da doméstica. Alguns diziam: "Justiça, mãe de família morta por polícia covarde", "Assassinos de moradores inocentes. Seus covardes matadores". Muitas casas estão com panos pretos pendurados como sinal de luto.
Os PMs teriam tentado retirar o corpo, segundo moradores, mas foram impedidos e atacados a pedradas. De acordo com os policiais, o confronto aconteceu depois que eles foram recebidos a bala por traficantes.
Sogro da vítima, Luís Carlos Ramalho, de 58 anos, afirmou que não houve troca de tiros no local. Segundo ele, um PM subiu no portão da casa de Michele e fez dois disparos após ter visto um vulto nos fundos.
Termina protesto de moradores na Cidade de Deus
Quinta, 06 de Março de 2008 às 10:26, por: CdB