Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Termina prazo para índios deixarem fazenda no MS

Terminou na manhã desta sexta-feira o prazo de 48 horas dado pela Polícia Federal (PF) para que 36 famílias guarani kaiowá da aldeia Laranjeira Nhanderu, no município de Rio Brilhante (MS), deixem pacificamente parte de uma fazenda ocupada por eles há quase dois anos e onde alegam terem vivido seus antepassados.(Leia Mais)

Sexta, 11 de Setembro de 2009 às 06:38, por: CdB

Terminou na manhã desta sexta-feira o prazo de 48 horas dado pela Polícia Federal (PF) para que 36 famílias guarani kaiowá da aldeia Laranjeira Nhanderu, no município de Rio Brilhante (MS), deixem pacificamente parte de uma fazenda ocupada por eles há quase dois anos e onde alegam terem vivido seus antepassados.

A reintegração de posse foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. De acordo com a PF em Dourados (MS), agentes vão até o local acompanhados de um oficial de Justiça para verificar se os índios cumprirão o acordo. Caso a saída não se efetive, a PF vai planejar uma operação de desocupação da área.

Índios comemoram Dia do Cerrado

No Dia Nacional do Cerrado, comemorado nesta sexta, índios de diversas etnias vão participar de uma corrida tradicional, com toras de madeira nas costas, na Esplanada dos Ministérios. O ritual deve seguir até o Congresso Nacional, onde os indígenas vão entregar a Carta do Cerrado às autoridades solicitando maior atenção do governo ao bioma.

De acordo com o coordenador da Rede Cerrado, Braulino dos Santos, a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 115/95, que torna patrimônios nacionais o Cerrado e a Caatinga, será uma das reivindicações apresentadas no documento.

– Queremos uma legislação que proteja o Cerrado assim como os outros biomas. Esperamos a compreensão dos nossos políticos. Eles sabem que se não aprovarem estarão acabando com toda a vida existente no Cerrado – disse o coordenador.

O primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro, realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, mostra que a devastação do bioma é duas vezes maior que a da Amazônia. Para Santos, as condições naturais do Cerrado favorecem o desrespeito com a sua proteção.

– Os outros biomas são de florestas altas, já o Cerrado é de mata baixa. Por não ter grandes florestas, [o Cerrado] é considerado fronteira agrícola, o que faz com que as pessoas o destruam com mais intensidade e sem peso na consciência – disse.

Já em recursos hídricos, o coordenador ressalta que o Cerrado leva vantagem sobre os outros biomas.

– Setenta por cento da água doce brasileira nascem no Cerrado. [O Cerrado] É uma "caixa d'água" que distribui o recurso para os outros biomas. Mesmo com uma seca de oito meses, os frutos florescem em alta escala. Além de ser uma fonte de renda, é uma garantia de alimentação para os povos que vivem no bioma – disse.

O plano para o combate ao desmatamento do Cerrado foi lançado na quinta-feira pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Segundo ele, o projeto dará início a uma nova fase para a preservação do bioma.

Tags:
Edições digital e impressa