Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2026

Terceira via?

Por Marco Aurélio Weissheimer - O governador Germano Rigotto (PMDB) quer ser candidato à presidência da República, apresentando-se como uma terceira via entre PT e PSDB. Mas seu governo no RS coleciona recordes negativos e promessas não cumpridas na economia, na segurança e na área social. (Leia Mais)

Domingo, 12 de Fevereiro de 2006 às 21:38, por: CdB

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), vem se apresentando ao país como uma terceira via entre PT e PSDB. Ao fazer isso, repete tática usada nas eleições estaduais de 2002, quando se apresentou como uma terceira via na disputa entre o PT e os partidários do ex-governador Antônio Britto, que havia deixado o PMDB para concorrer pelo PPS. Na verdade, tratava-se de uma distinção artificial, porque a polarização entre as candidaturas de Britto e Tarso Genro, na época, expressava a polarização entre PT e PMDB, que permanece vivíssima no Estado.

Mas a tática deu certo e ele acabou sendo eleito com uma promessa de "pacificação" da vida política do Rio Grande do Sul. Agora, Rigotto quer se aproveitar da disputa entre PSDB e PT para tentar "pacificar" também o país. Se o discurso da terceira via mostrou-se eficiente em 2002, o mesmo não pode se dizer, porém, de seu desempenho no governo do Estado, que, ao final da gestão, acumula números negativos.

A produção industrial do RS fechou 2005 com o pior resultado entre os 14 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados divulgados nesta sexta-feira (10) revelam que o indicador acumulado de janeiro a dezembro teve resultado negativo de -3,5%, bem abaixo da média nacional no período, que foi 3,1%. No ano, 11 dos 14 ramos pesquisados no RS tiveram recuo na produção. Os maiores impactos negativos vieram de máquinas e equipamentos (-19,1%), calçados e artigos de couro (-5,2%) e produtos químicos (-5,8%). Em dezembro de 2005, a produção industrial gaúcha registrou queda em todos os indicadores: -0,3% na comparação com igual mês do ano anterior e -3,8% no último trimestre do ano.

Desemprego também cresceu

Os índices negativos não param por aí. O Índice de Desempenho Industrial do RS (IDI-RS) teve, em 2005, seu pior resultado desde que começou a ser medido, em 1992. Na comparação com 2004, a queda foi de 5%. Todas as variáveis que compõem o índice apresentaram percentuais negativos. Segundo a assessoria econômica da Federação das Indústrias do Rio Grande Sul (Fiergs), responsável pela elaboração do índice, os números são conseqüência de "variáveis macroeconômicas e problemas regionais". Entre as primeiras estão a valorização do real e as altas taxas de juros. Entre os problemas regionais, a Fiergs destaca a restrição imposta pelo governo estadual ao uso dos créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) e os problemas causados pela seca. Os piores desempenhos ocorreram nos setores de máquinas agrícolas (-14,57%), mecânica (-10,97%), calçados (-10,72%) e fumo (-8,36%).

A crise também afetou a geração de empregos no estado. Em 2005, foi registrada uma redução de 17.060 postos de trabalho. Somente na indústria calçadista, 16.160 trabalhadores foram demitidos em 2005. Os setores de metalurgia, mecânica, madeira e mobiliário também foram fortemente atingidos pelo desemprego. O presidente da Fiergs, Paulo Tigre, acredita que o desempenho industrial em 2006 será melhor, até porque a base de comparação será baixa, considerando o péssimo resultado de 2005.

Esse desempenho teve reflexos imediatos na saúde econômica do Estado. Em 2001, o RS chegou a atingir a posição de segundo Estado exportador do país. Em 2005, chegou próximo da quarta posição. A participação do Estado nas exportações brasileiras, que era de 10,5% em 2000, caiu para 9,0% em 2005. No ano passado, enquanto as exportações brasileiras cresceram 23,4%, até setembro, a média gaúcha foi de apenas 4,5%.

Enquanto isso, na segurança pública...

Mas os problemas da gestão de Rigotto não se limitam à economia. O Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu, dias atrás, uma matéria especial sobre roubos a pedestres no centro de Porto Alegre, um problema crônico das grandes cidades brasileiras. Ocorre que uma das principais promessas da campanha eleitoral de Rigotto foi justamente garantir a segur

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