Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2026

Tentativas de saque levam STF a bloquear bens da Máfia do Jogo

Sexta, 20 de Abril de 2007 às 08:50, por: CdB

Tentativas de pessoas ligadas aos presos pela Operação Furação, que deteve 25 pessoas e desarticulou uma quadrilha de contraventores, delegados e magistrados acusados de crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais, de sacar R$ 4 milhões nos bancos levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a bloquear os bens de alguns familiares e de todos os detidos na Operação.

As tentativas foram descobertas porque a legislação de combate à lavagem de dinheiro obriga os bancos a informarem ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de maneira generalizada, todos os saques de valor igual ou superior a R$ 100 mil.

A informação do bloqueio de bens não foi anunciada pelas assessorias de imprensa do STF e da PF, mas foi confirmada pelos advogados dos detidos da operação.

Segundo os advogados que estiveram na superintendência da Polícia Federal, foram bloqueados não apenas os bens dos acusados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, como também os de alguns de seus familiares.

Segundo o advogado Pedro Teixeira, um de seus clientes, o delegado da Polícia Federal Carlos Pereira da Silva, teve os seus bens bloqueados junto aos de sua mãe e esposa. - Há uma restrição nas contas bancárias, mas estamos verificando a legalidade do que está acontecendo - disse.

Os bens do presidente de honra da escola de samba Beija Flor, Anízio Abraão David, também foram bloqueados. O advogado Bruno Rodrigues explicou que a decisão do STF foi "equânime" e alcançou a todos os investigados no inquérito.

Advogados que representam acusados acham pouco provável que o Supremo Tribunal Federal conceda a prisão preventiva para manter as 25 pessoas presas durante a investigação. A avaliação é dos advogados Pedro Teixeira e Bruno Rodrigues, que trabalham na defesa, respectivamente, do delegado da Polícia Federal Carlos Pereira da Silva e do presidente de honra da escola de samba Beija Flor, Anízio Abraão David.

O prazo das prisões preventivas, já prorrogadas pelo Supremo, acaba à zero hora de segunda-feira. Caso as prisões preventivas não sejam anunciadas pelo STF, os investigados serão soltos.
- Fala-se na advocacia que se pede ao juiz o que não se pede nem a Deus. Só que o pedido tem de ser bem fundamentado e com indícios suficientes. Se isso for o bastante para convencer o ministro do STF, os advogados vão ter acesso a sua decisão e verificar sua legalidade - disse o advogado Pedro Teixeira.

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