Começaram, nesta segunda-feira, as eleições paquistanesas para o próximo governo do país. Estão em disputa 342 assentos da Assembléia Nacional, equivalente à Câmara de Deputados, e 100 vagas no Senado. Protegidos por um forte esquema de segurança, com 80 mil integrantes regulares do Exército e mais 420 mil extras, o pleito corre risco de sofrer atentados de violência.
No último sábado - último dia da campanha eleitoral - o escritório de um dos principais partidos de oposição, o PPP, sofreu um grave ataque com a explosão de um carro-bomba e a morte de 47 pessoas, incluindo o autor do atentado. Além de acusar o governo de atos de violência, a oposição também afirma que o pleito corre risco de ser fraudado pelos atuais representantes do país.
Apesar do recente ataque e o clima de violência exacerbado, a população saiu para votar. Em uma das seções eleitorais em Rawalpindi, todos os presentes foram unânimes em dizer que não se sentiam ameaçados.
– Deus vai nos proteger e nada vai acontecer. Essas eleições são importantes para mudar o pais – afirma Abdullah Aviu. Analistas, no entanto, afirmam que o medo provocará um baixo comparecimento nestas eleições, ainda menor que os 41% que votaram nas últimas eleições, em 2002.
No dia 27 de dezembro, a ex-premiê Benazir Bhutto foi assassinada em um comício em Rawalpindi. As eleições tiveram que ser adiadas e o assunto aquece as recentes eleições. Muitos dos candidatos buscam associar sua imagem à da ex-primeira-ministra. No local onde ocorreu o atentado e a morte da política, foi criado um memorial e muitas pessoas visitam o local. Segundo uma eleitora, que estava no comício no dia 27 de dezembro e viu um amigo ser morto, a vitória do PPP é praticamente certa.
– Votei no PPP por Benazir, claro. Se as eleições não forem roubadas, eles vão ser o novo governo – disse.
Na maioria das sessões eleitorais, representantes dos principais partidos fiscalizam o andamento dos trabalhos, atentos para a possibilidade de manipulação. A oposição vem repetindo continuamente que o governo deve fraudar o pleito.
Na última quinta-feira, a ONG Human Rights Watch divulgou uma gravação na qual o procurador-geral