Domingo, 16 de Fevereiro de 2014 às 05:30, por: CdB
A polícia venezuelana montou um forte aparato para conter os manifestantes
As manifestações que tomaram as principais ruas da capital venezuelana na noite deste sábado até o início desta madrugada aumentaram a tensão entre oposicionistas e simpatizantes do governo de Nicolás Maduro. Os manifestantes também se concentraram nas ruas de outras cidades do país. A imprensa local divulgou que ao menos 23 pessoas ficaram feridas em Chacao, capital do Estado de Miranda, reduto oposicionista e que houve confrontos entre manifestantes e policiais.
Neste domingo, a Venezuela também se prepara, após a madrugada violenta, para um novo dia de tensão por conta da manifestação convocada pelo presidente Nicolás Maduro. O presidente venezuelano pediu a seus partidários para saírem às ruas do país em resposta ao movimento de contestação dos estudantes, que na véspera voltaram a protestar contra o governo.
Em ritmo intenso, com inúmeras postagens, usuários do Twitter trocaram informações sobre o paradeiro de jovens, supostamente detidos ao longo da noite e denunciaram suspeitas de “desaparecimento” de manifestantes. Usuários das redes sociais também publicaram fotos de pessoas feridas com balas de borracha. Na versão deles, pela Guarda Nacional Bolivariana, que teria usado também gás lacrimogêneo para dispersar as manifestações. Algumas fotos também mostram a ação violenta dos manifestantes.
A imprensa local foi comedida na publicação de imagens, mas relatou os acontecimentos assim como a prefeitura de Chacao, que denunciou que bancos foram danificados e tiveram vidraças quebradas e fachadas danificadas. Pela internet, o prefeito da cidade, Ramón Muchacho, falou de danos materiais causados na cidade e pediu o cesse do vandalismo. "Se justifica o que está acontecendo? Alguém assume a responsabilidade?", questionou no Twitter.
O governo nacional também denunciou ataques à sede do canal estatal, Venezuelana de Televisão e ao prédio do Ministério dos Transportes. Com as manifestações, 12 linhas de metrô da capital foram suspensas no começo da madrugada Neste cenário incerto, a troca de acusações continua entre governistas e oposicionistas. De um lado, o governo denuncia um plano golpista da extrema direita e acusa grupos "fascistas" de estarem provocando o caos. Do outro, a oposição insiste na existência de infiltrados, apoiados pelo próprio governo para responsabilizar os opositores.
O oposicionista Leopoldo López, procurado pela polícia continuava foragido até a madrugada de hoje. De acordo com a imprensa a residência dele e a dos pais dele teriam sido revistadas por policiais após as 23h desse sábado. Mais cedo, a Mesa da Unidade Democrática, que reúne partidos de oposição, informou que 112 pessoas que estavam presas desde a última quarta-feira foram liberadas, mas que ainda havia pelo menos 47 jovens detidos em diferentes penitenciárias do país.
Jornalistas que vivem em Caracas conversaram na noite desse sábado com jornalistas brasileiros. Eles preferiram que seus nomes não fossem revelados, e afirmaram que a situação é muita confusa e que é difícil discernir o que está realmente acontecendo.
– Não é possível fazer uma leitura precisa do que está ocorrendo – afirmou uma correspondente brasileira.
Ela disse que os argumentos se confundem, há “teorias conspiratórias” e um clima de “terror e medo” no país. Um jornalista venezuelano acrescentou que "de ambos os lados, situação e oposição, há evidências que poderiam justificar as acusações”.
– Mas uma coisa é certa. Mesmo para um chavista ou não. A população não está contente. Há um sentimento de cansaço, de frustração e de impotência diante dos problemas que o país tem enfrentado – concluiu.
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