O conflito entre os partidários do presidente Hu Jintao e seu predecessor, Jiang Zemin, expôs as tensões no interior da liderança chinesa e dificultou a tarefa da nova geração de autoridades em impor sua opinião na política do país, segundo afirmam membros do partido, jornalistas e analistas aqui na China. Jiang, 76 anos, reteve grande influência política ao manter seus aliados em posições importantes e ao permanecer na presidência da Comissão Militar Central, apesar de ter transferido suas principais atribuições para Hu nos últimos oito meses. Representantes do Partido Comunista e acadêmicos que estudam a liderança chinesa garantem que há amplas tensões entre Jiang e os partidários de Hu, líder do partido e presidente, que solidificou sua posição - entre os reformistas, ao menos - com a condução vigorosa contra a epidemia da SARS, após as falhas iniciais. As tensões dificultaram a tarefa de Hu de equilibrar os pedidos de mudanças dos intelectuais liberais e os temores de instabilidade manifestados por pessoas consideradas próximas a Jiang, segundo afirmam os analistas e as autoridades do partido. Os partidários de Jiang, ex-presidente e chefe do partido, também estariam descontentes com a decisão de Hu de assumir imediatamente o controle da agenda política. Hu pode ter desrespeitado um limite político sensível quando dispensou pessoas nomeadas por Jiang, indicaram as autoridades e analistas. Aparentemente, Jiang teria desafiado uma das decisões mais importantes de Hu no final de maio, quando convidou Zhang Wenkang, ex-ministro da Saúde que foi demitido pelo fracasso diante da epidemia de SARS, para um encontro privado em Pequim. O encontro, que não foi divulgado, perturbou alguns partidários de Hu. Estes sentiam que Zhang havia sido corretamente responsabilizado por ter mentido quanto ao alastramento da doença em março e início de abril. Segundo os jornalistas, as autoridades do partido consideradas leais a Jiang também tentaram reverter uma tendência de abertura na mídia controlada pelo governo e restringiram a cobertura sobre temas importantes, incluindo-se a SARS. "As esperanças do povo agora estão com Hu, especialmente depois da (epidemia) de SARS", afirmou um editor-sênior de um importante jornal do partido que vem acompanhando a volatilidade política. "Mas Jiang ainda é mais poderoso, e o conflito entre eles está se mostrando mais evidente". Com a China enfrentando sua mudança de liderança mais ampla desde a morte de Mao em 1976, a briga pelo poder ainda pode atrasar as metas políticas ou até desestabilizar o governo. Uma área que parece instável é o controle sobre a mídia oficial, instrumento dos líderes centrais para estabelecer o tom político em toda a nação. Hu e outro membro do poderoso comitê do Politburo, Li Changchun, apoiaram os planos para afastar o enfoque tradicional da mídia sobre os encontros de rotina e discursos de líderes, para conceder mais espaço para a divulgação de notícias econômicas, sociais e de saúde. Mas outra autoridade importante, Liu Yunshan, diretor do Departamento de Propaganda do partido e um aliado de Jiang, favorece a manutenção dos controles mais rígidos.
Tensão atinge a liderança do Partido Comunista chinês
Terça, 01 de Julho de 2003 às 08:14, por: CdB