O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, atribuiu ao Congresso a responsabilidade pelo corte de recursos do setor, causada pela extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
— A decisão do Senado foi dramática —, disse Temporão à NBR.
— Nenhum país do mundo perde R$ 40 bilhões e fica tudo bem. O discurso [da oposição] era de que [o fim da CPMF] ia beneficiar os pobres, mas estou esperando —, completou.
Dos R$ 40 bilhões arrecadados com a CPMF, mais da metade era destinado à saúde. Da alíquota de 0,38% descontada nas transações financeiras, 0,20% ficava para a saúde e o restante, para outras áreas sociais.
— Estamos num momento muito importante, de 20 anos do SUS [Sistema Único de Saúde] e, com o fim da CPMF, o Congresso assumiu a responsabilidade de equacionarmos a sustentabilidade do SUS para sempre, pois precisamos resolver essa questão do financiamento setorial —, disse.
O programa Mais Saúde, que ficou conhecido como PAC da Saúde, anunciado no último dia 5 de dezembro - dias antes de o Congresso rejeitar a prorrogação da CPMF - é tema do Sala de Convidados desta segunda-feira, programa produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e transmitido ao vivo pela NBR, a TV do Poder Executivo.
Segundo o governo, grande parte dos R$ 40 bilhões arrecadados com o imposto do cheque iria para o setor de saúde em 2008. Como ainda não ficaram definidas as áreas que receberão cortes no Orçamento - o governo federal terá que cortar despesas da ordem de R$ 20 bilhões para manter o equilíbrio fiscal -, o futuro do PAC da Saúde ainda é uma incógnita.
Temporão afirmou que certezas sobre o futuro do Mais Saúde, só virão depois do carnaval.
— É quando vamos ter mais clareza do cenário —, completou o ministro, ponderando que "há uma preocupação muito grande do governo em não se sacrificar políticas sociais". De acordo com o ministro, a prioridade do programa é a atenção à saúde, a necessidade de construção de um marco regulatório na saúde pública do país e do que qualificou de debate sobre a remuneração dos profissionais do SUS.
— Quando você pensa que pagamos R$10 por especialista e realizamos 300 mil consultas anuais, qualquer R$10 de aumento são mais R$ 3 bilhões —, destacou, completando que "só vamos dar um salto de qualidade em saúde pública quando ficar definida essa equação".
Temporão responsabiliza Congresso por corte de recursos do PAC da Saúde
Segunda, 28 de Janeiro de 2008 às 14:59, por: CdB