Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Temporão responsabiliza Congresso por corte de recursos do PAC da Saúde

Segunda, 28 de Janeiro de 2008 às 14:59, por: CdB

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, atribuiu ao Congresso a responsabilidade pelo corte de recursos do setor, causada pela extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

— A decisão do Senado foi dramática —, disse Temporão à NBR.

— Nenhum país do mundo perde R$ 40 bilhões e fica tudo bem. O discurso [da oposição] era de que [o fim da CPMF] ia beneficiar os pobres, mas estou esperando —, completou.

Dos R$ 40 bilhões arrecadados com a CPMF, mais da metade era destinado à saúde. Da alíquota de 0,38% descontada nas transações financeiras, 0,20% ficava para a saúde e o restante, para outras áreas sociais.

— Estamos num momento muito importante, de 20 anos do SUS [Sistema Único de Saúde] e, com o fim da CPMF, o Congresso assumiu a responsabilidade de equacionarmos a sustentabilidade do SUS para sempre, pois precisamos resolver essa questão do financiamento setorial —, disse.

O programa Mais Saúde, que ficou conhecido como PAC da Saúde, anunciado no último dia 5 de dezembro - dias antes de o Congresso rejeitar a prorrogação da CPMF - é tema do Sala de Convidados desta segunda-feira, programa produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e transmitido ao vivo pela NBR, a TV do Poder Executivo.

Segundo o governo, grande parte dos R$ 40 bilhões arrecadados com o imposto do cheque iria para o setor de saúde em 2008. Como ainda não ficaram definidas as áreas que receberão cortes no Orçamento - o governo federal terá que cortar despesas da ordem de R$ 20 bilhões para manter o equilíbrio fiscal -, o futuro do PAC da Saúde ainda é uma incógnita.

Temporão afirmou que certezas sobre o futuro do Mais Saúde, só virão depois do carnaval.

— É quando vamos ter mais clareza do cenário —, completou o ministro, ponderando que "há uma preocupação muito grande do governo em não se sacrificar políticas sociais". De acordo com o ministro, a prioridade do programa é a atenção à saúde, a necessidade de construção de um marco regulatório na saúde pública do país e do que qualificou de debate sobre a remuneração dos profissionais do SUS.

— Quando você pensa que pagamos R$10 por especialista e realizamos 300 mil consultas anuais, qualquer R$10 de aumento são mais R$ 3 bilhões —, destacou, completando que "só vamos dar um salto de qualidade em saúde pública quando ficar definida essa equação".

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