Vítimas da tempestade tropical Agatha lamentavam suas casas destruídas, enquanto agentes do resgate tentavam retirar corpos da lama na Guatemala nesta segunda-feira depois que chuvas torrenciais mataram ao menos 132 pessoas na América Central. Várias pessoas procuravam seus familiares em meio ao forte cheiro dos esgotos inundados que tomou conta do ar de cidades próximas à Cidade da Guatemala. Os funcionários da emergência pediram para que os sobreviventes deixassem as casas abaladas e procurassem os abrigos.
Primeira tempestade tropical da temporada de furacões 2010 do Pacífico, a Agatha tocou o solo da Guatemala no sábado, provocando mais de um metro de chuva no montanhoso oeste do país e no vizinho El Salvador, além de gerar preocupações com os estragos à safra de café em ambos os países. "Eu não tenho ninguém para me ajudar. Eu vi a água levar tudo", disse Carlota Ramos em Amatitlán, perto da capital guatemalteca, chorando em frente à sua casa tomada pela lama.
Mais de 60 pessoas ainda estavam desaparecidas na Guatemala nesta segunda-feira e, ao anoitecer, agentes cansados arrastavam pedras e troncos de árvores de casas atingidas para tentar chegar até os feridos. "Temos somente o convencional como pás, picareta, porque não contamos com um maquinário para poder fazer as escavações", disse Mario Cruz, dos Bombeiros Voluntários, um dos principais corpos de resgate do país.
Outros agentes caminharam por muitas horas em meio à lama para resgatar pessoas presas e retirá-las dos escombros de edifícios abalados. "Tivemos que andar com nossos equipamentos pela montanha, resgatar as pessoas e depois voltar", disse o bombeiro Rony Veliz. "Foi muito difícil".
Alguns helicópteros transportaram tendas e suprimentos médicos para cidades remotas na costa da Guatemala no Pacífico e os primeiros socorros estrangeiros começaram a chegar nesta segunda-feira. O governo dos Estados Unidos doou 113 mil dólares para o pagamento de produtos emergenciais e para fretar o serviço de helicópteros privados nas operações de resgate. O governo guatemalteco deve apelar por ajuda oficialmente na terça-feira.
Mais de 94 mil pessoas estão desabrigadas. "Eu perdi tudo", afirmou um homem no lado de fora dos escombros de sua casa de madeira. Outro homem disse que viu sua esposa e duas filhas serem varridas pela água quando tentavam cruzar um rio com segurança.
Ao menos 109 pessoas morreram na Guatemala, e outras 62 estavam desaparecidas, de acordo com o governo. Nove pessoas morreram em El Salvador e 14 em Honduras, incluindo uma mulher que foi eletrocutada enquanto recebia ajuda para deixar sua casa inundada.