Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Temperatura dos debates tende a subir, acreditam coordenadores de campanha

Coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui Falcão (PT) disse, ao final do debate da Rede TV, na madrugada desta segunda-feira, que os ataques envolvendo a violação de sigilo na Receita Federal e as denúncias sobre a Casa Civil já eram esperados, mas que o desempenho da candidata foi extremamente positivo.

Segunda, 13 de Setembro de 2010 às 11:28, por: CdB

Coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui Falcão (PT) disse, ao final do debate da Rede TV, na madrugada desta segunda-feira, que os ataques envolvendo a violação de sigilo na Receita Federal e as denúncias sobre a Casa Civil já eram esperados, mas que o desempenho da candidata foi extremamente positivo. – A Dilma conseguiu traduzir para a população um fator que incomoda muito no Serra, que é a arrogância dele, quando falou que ele não é o dono da verdade, nem é melhor que ninguém – afirmou Falcão. Já o presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra, que também estava na plateia, gostou da performance de José Serra e afirmou que, a partir de agora, o tom da campanha será “contundente”, sinalizando que a onda de denúncias deverá seguir em alta. – Acho que devemos marcar as diferenças. Daqui pra frente é nenhum cuidado, franqueza total – disse. Guerra acrescentou que está mais satisfeito com a linha atual da campanha do que com a anterior, quando o partido tentava preservar a imagem do presidente Lula. – Estou satisfeito que nós tenhamos avançado nesta direção e espero que avance ainda mais – afirmou. Decibéis mais altos Líder disparada nas pesquisas, Dilma foi o alvo preferencial dos demais presidenciáveis presentes ao estúdio da Rede TV!. Serra, o atirador de dardos contra a petista, direcionava, sempre que podia, todas as perguntas à rival, enquanto ela o ignorava, solenemente. Nenhuma das vezes que teve a chance de perguntar Dilma dirigiu-se Serra. O tema-chave da noite, que moveu as reações ofensivas, foi "corrupção". Casos antigos e novos foram resgatados: aloprados, mensalão, sigilo e a recente acusação de susposto esquema de tráfico de influëncia envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. A petista foi questionada por uma jornalista se colocaria a "mão no fogo" pela atual titular da pasta, seu braço direito quando estava no governo, sucessora quando deixou o Executivo e pessoa de quem se tornou amiga pessoal nos últimos anos. – No caso da ministra Erenice, foi feita uma acusação e o que se tem hoje é exatamente nada. Agora, eu quero deixar claro aqui: eu não concordo, não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora minha – rebateu a candidata, referindo-se a Israel Guerra, filho de Erenice, apontado como profissional a serviço de lobistas. Serra foi para cima do "governo que acoberta companheiros e persegue a oposição"; Dilma defendeu investigações "doa a quem doer", citando as operações da Polícia Federal no governo e, mais recentemente, no Amapá. Ele não perdeu oportunidades de associar a campanha petista à quebra do sigilo fiscal de seus familiares. Dilma acabou ganhando direito de resposta por conta da vinculação. Ecoou um sonoro "o que ele quer é ganhar essa campanha no tapetão". A petista disse ainda que não passaria a eleição como caluniadora, mas ele sim. Essa afirmação rendeu ao tucano direito de resposta. Serra aproveitou para ironizar a petista por ter o apoio do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu: – Essas questões que envolvem a democracia não se resolvem com braveza. Agora você vai pedir direito de resposta por isso (dizer que tem apoio de Dirceu)? Marina Silva, do PV, e Plínio de Arruda Sampaio, PSOL, não conseguiram romper a polarização, deixando o ringue quase livre para a luta do "nós contra eles". A ex-ministra do Meio Ambiente, que manteve seu discurso da "terceira via", criticou e elogiou aspectos das duas administrações, Lula e FHC. Pisou duro, no entanto, quando falou da política. – Avançamos na economia, avançamos no social, mas a política é um retrocesso, é a pré-história da política – criticou. José Serra atacou mais o governo do que de costume e foi questionado por ter usado a imagem do presidente de forma elogiosa em seu programa de TV. Ele chegou a criticar o "governo Lula" em algumas ocasiões. Iniciou sua intervenção dizendo que o maior "sucesso" da gestão federal foi não ter "atirado o Plano Real pela janela", contrariando histórico da legenda que havia se oposto ao plano econômico. Fez isso assumindo o legado de Fernando Henrique Cardoso, personagem deixado à sombra inúmeras vezes em sua campanha. Serra bateu na tecla de que ninguém conhece sua adversária, fazendo constante contraposição à sua notória vida pública. Foi ao atacar a relação do governo Lula com o Irã que ouviu de Dilma Rousseff uma das suas mais duras réplicas. – Eu também tenho uma trajetória – afirmou a candidata. Em seguida, aconselhou: – Não subestime ninguém, candidato, o senhor não é dono da verdade, o senhor não é melhor que ninguém. Pequeno acidente Na manhã desta segunda-feira, Dilma torceu o pé enquanto se exercitava e está calçando uma bota ortopédica. Ela chegou à Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) calçando a tala e informou que teve "um pequeno acidente" pela manhã. Dilma foi atendida pelo médico Roberto Kalil, que imobilizou o pé da petista e afirmou que só houve uma pequena torção.

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