Rio de Janeiro, 02 de Janeiro de 2026

Temer perdoa dívida da bancada ruralista em troca de votos para reforma da Previdência

Temer deve assinar nos próximos dias outra Medida Provisória para reduzir a alíquota paga nos parcelamentos por produtores rurais referente ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural)

Terça, 16 de Maio de 2017 às 11:14, por: CdB

Temer deve assinar nos próximos dias outra Medida Provisória para reduzir a alíquota paga nos parcelamentos por produtores rurais referente ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural)

 

Por Redação - de Brasília

 

O presidente de facto, Michel Temer, começou nesta terça-feira uma ofensiva para garantir apoio de prefeitos e do setor agropecuário à reforma da Previdência. Segue de olho no Plenário da Câmara dos Deputados, uma vez que, admitem auxiliares próximos, o governo ainda não tem os 308 votos necessários para aprovar a proposta.

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O presidente de facto, Michel Temer, diz que reforma trabalhista passará no crivo dos senadores

Temer assinou nesta terça-feira medida provisória autorizando o parcelamento em 200 vezes dos débitos dos municípios e Estados com o INSS, com desconto de 25% nos encargos das dívidas, 25% das multas e 80% dos juros. De acordo com uma fonte do Tesouro, que pediu anonimato, não há impacto fiscal com a medida porque o governo já não esperava receber pagamento das dívidas das prefeituras. A agência inglesa de notícias Reuters pediu à Receita Federal a estimativa de perda de arrecadação, mas não teve resposta.

Em troca do alívio aos prefeitos, Temer garantiu, durante a abertura da 20ª Marcha dos Prefeitos, a declaração de apoio à reforma da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

— Tomamos a decisão de apoiar a reforma da Previdência como confederação — afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. O governo espera agora que os prefeitos pressionem. Ou, ao menos dêem apoio para que os deputados votem pela reforma da Previdência.

Economia

Em discurso, durante a abertura da Marcha, Temer comemorou o resultado da primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Este ano, cresceu 1,1% no primeiro trimestre, embora haja controvérsias. O anúncio da criação de quase 60 mil vagas de emprego no mês de abril também foi festejado.

— O PIB do último trimestre foi o maior dos últimos anos. Estamos recuperando a economia brasileira — disse Temer aos prefeitos reunidos em Brasília. Alguns economistas, no entanto, desconfiam da metodologia aplicada para se chegar a este resultado.

Temer também deve assinar nos próximos dias outra Medida Provisória. Dessa vez para reduzir a alíquota paga nos parcelamentos por produtores rurais referente ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Entre outros objetivos, a medida visa garantir a simpatia da bancada ruralista no Congresso à reforma previdenciária.

Bancada ruralista

Na noite de segunda-feira, depois de mais uma reunião entre a equipe econômica e a bancada ruralista, ficou acertado que o novo Funrural terá uma alíquota de 1,5% sobre a receita bruta, em vez dos atuais 2,3%. Já o passivo daqueles que não pagaram o Fundo nos últimos anos será taxado. Terá uma alíquota mais alta, possivelmente de 2,3%. Ainda falta definir prazo e forma de pagamento, o que deve ser feito na quarta-feira.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Nilson Leitão (PSDB-MT), afirmou que a decisão de o governo de abrir um Funrural não condiciona ao apoio da bancada ruralista à reforma da Previdência.

"Uma coisa não está associada à outra", afirmou. O deputado disse que a questão do fundo tem de ser discutida. E que o debate da reforma da Previdência é suprapartidário e de interesse geral do país.

A Frente, segundo informações próprias, tem 222 deputados e 24 senadores entre seus integrantes. Na véspera, Temer disse que a proposta irá a Plenário quando a base aliada tiver entre 320 e 330 votos. Hoje, de acordo com uma fonte palaciana, a conta estaria em torno de 315 votos.

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