O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), antecipou a jornalistas nesta terça-feira que não terá condições, institucionalmente, de dar resposta positiva à proposta de coalizão feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar da negativa de Temer, governistas do PMDB articulam a adesão das bancadas do Congresso ao pacto com Lula, num movimento de rebeldia contra a direção do partido.
Os governistas praticamente desistiram do apoio institucional e preparam uma adesão "congressual", segundo fontes do partido. O risco, calculado, é o aprofundamento da divisão no maior partido do Congresso.
O deputado governista José Borba (PR) recuperou a liderança da bancada na Câmara -- que havia perdido para o independente Saraiva Felipe (MG)-- mas não havia conseguido, até o final da tarde, levar a maioria dos 85 deputados a aprovar o apoio.
A bancada de deputados foi reunida no início da tarde, mas o encontro foi suspenso em meio a trocas de acusações de parte a parte. Deputados que apoiaram o governo Fernando Henrique Cardoso, como o ex-ministro Eliseu Padilha (RS), conseguiram suspender a reunião sem que a bancada tivesse deliberado.
Os deputados podem voltar a se reunir à noite e uma nova batalha está marcada para quarta-feira, a eleição de um novo líder da bancada.
- Vou mostrar ao presidente Lula a realidade do PMDB - disse Temer ao sair da reunião. - Direi ao presidente que o partido tem muitas divisões e não poderá dar, neste momento, seu apoio institucional como ele pediu.
Temer desistiu de convocar uma convenção nacional, com receio de "esgarçar anda mais a legenda". O presidente do PMDB assegura que os governadores preferem "apoiar a governabilidade sem participar do governo".
A desconfiança contaminou as relações entre os dirigentes do partido e de suas diversas correntes, depois de três semanas de articulações amplas, que culminaram com a visita de Temer e do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), ao presidente Lula na sexta.
Na segunda-feira, depois que Temer relatou a resistência dos governadores ao pacto, 20 dos 23 senadores divulgaram documento de apoio ao governo. A proposta envolve a ocupação de quatro ministérios e a participação do PMDB num conselho político de governo, sem compromisso com a sucessão em 2006.
A bancada de senadores é fortemente influenciada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e pelo ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Ambos defendem o chamado "pacto de governabilidade".
- Ninguém vai entender que o PMDB tenha apoiado o governo quando este era forte e decide fugir no momento da dificuldade - argumentou Renan em conversa com jornalistas.