Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Temer é citado em novas delações no processo por perda de mandato

Nas novas delações, os réus confessaram depósitos milionários, em doações eleitorais extraídas de contratos superfaturados nos ministérios, autarquias e estatais brasileiras

Sexta, 07 de Outubro de 2016 às 10:30, por: CdB

Nas novas delações, os réus confessaram depósitos milionários, em doações eleitorais extraídas de contratos superfaturados nos ministérios, autarquias e estatais brasileiras

 
Por Redação - de Brasília
  Aumentaram, definitivamente, as chances de o país passar por novas eleições, no ano que vem. Ainda que indireta, a escolha de um sucessor para o presidente de facto, Michel Temer, está mais próxima. A ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, fica agora mais robusta. Nas novas delações, os réus confessaram depósitos milionários, em doações eleitorais extraídas de contratos superfaturados nos ministérios, autarquias e estatais brasileiras.
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Azevedo admitiu que contabilizava desvios de recursos para o PMDB e o PT, em suas delações ao TSE
O ex-executivo Otávio Azevedo, da empreiteira Andrade Gutierrez (AG), admitiu em juízo contabilizar cobranças de 2% para o PMDB e 1% para o PT. A verba era obtida em contratos com as usinas hidrelétrica e nuclear de Belo Monte e Angra 3, respectivamente. — Nós estávamos ali sendo garfados em alguns milhões. Uma parte foi para o Delfim (Netto, ex-ministro da Fazenda na ditadura militar) e uma parte foi para partidos políticos — disse Azevedo. O empregado da AG referia-se a doações fraudulentas de R$ 104 milhões em 2014. — O PMDB teve uma doação total de 20 e poucos milhões (de reais) também em 2014, parte do recurso do PMDB veio de Belo Monte. Parte dos recursos do PT também veio de Belo Monte — disse aos delegados.

Delações em juízo

Azevedo não foi o único a apontar desvio de recursos, em contratos superfaturados. O executivo Flávio David Barra, também da AG, revelou que as tais doações não passavam de propinas para os ocupantes do governo. Barra cita que porcentagem distribuída era de 2% para o PMDB, 1% para o PT e em torno de 1,5% distribuídos entre executivos da estatal Eletronuclear. Sobre o valor “elevado”, de 4,5% no rateio da propina, Barra disse que seria uma espécie de ‘seguro’. Para que o contrato não sofresse quaisquer interrupções adicionais. — Devo ter feito alguma coisa em torno de 4 milhões só para o ministro Lobão. Entre R$ 4 a R$ 4,5 ou R$ 5 milhões — confessou. O engenheiro Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC Engenharia, por sua vez, citou o ex-ministro Edinho Silva. Secretário de Comunicação Social e tesoureiro da campanha da presidenta Dilma Rousseff, Edinho foi eleito prefeito de Araraquara (SP). Ele já havia administrado o município, há quatro anos. — O Edinho me ponderava que, por seu ser, primeiro um grande fornecedor da Petrobras, com grandes contratos lá, o status quo que continuasse exigia que eu colaborasse mais. Isso é que ele me ponderava — alega o empreiteiro.

Dentro da lei

Edinho Silva nega qualquer envolvimento nas denúncias. Ele garante que as doações à campanha ocorreram “dentro da lei”, disse à reportagem do Correio do Brasil. Zwi Skornick, lobista do estaleiro Kepper Fels, encontrou uma explicação criativa para o repasse de propina. Em seu depoimento em juízo, comparou o pagamento de propina aos partidos da base ao seguro de um automóvel. — O senhor não quer nunca usar (o seguro), mas paga. Basicamente era dessa forma. Um seguro de carro que não era espontâneo, claro — disse Zwi ao ministro Herman Benjamin, corregedor-geral Eleitoral. O magistrado atua nas ações que tratam da cassação da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer. Há possibilidade de o ministro levar o relatório para apreciação dos pares ainda este ano. A decisão de colocar o processo em pauta, ou não, pertence ao ministro Gilmar Mendes. Setores do PSDB, aos quais Mendes é ligado politicamente, defendem o julgamento no ano que vem. Em uma eleição indireta, no Congresso mais reacionário das últimas décadas, os tucanos têm chances reais de eleger o sucessor de Temer.

Marqueteiros

Uma vez delatada a chapa Dilma-Temer, os agentes da Justiça eleitoral buscam, agora, provas suficientes para cassar os diplomados em 2014. O TSE divulgou os processos em que o PSDB acusa PT e PMDB de cometer abuso de poder político-econômico. Os depoimentos anexados referem-se ás delações de Pessoa (UTC) e Barra e Otávio Azevedo (AG). Ainda, de Eduardo Leite, ex-vice-presidente da Camargo Correa, e dos lobistas Zwi Skornicki e Julio Camargo. Skornicki, em seu depoimento, implicou dois parlamentares por colaboração com o esquema criminoso. Mas ainda não revelou ao TSE quais eram. Nenhuma das testemunhas ouvidas disse, porém, ter recebido qualquer pedido de repasses ilícitos de Dilma ou de Temer, diretamente. Nem acusaram, frontalmente, o ex-tesoureiro Edinho Silva.
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