Rio de Janeiro, 13 de Janeiro de 2026

Temer disfarça mas não esconde impacto com nova lista de Fachin

A expectativa de Temer era de que a decisão de Fachin somente fosse divulgada após o feriado de Páscoa

Quarta, 12 de Abril de 2017 às 11:07, por: CdB

A expectativa de Temer era de que a decisão de Fachin somente fosse divulgada após o feriado de Páscoa

 

Por Redação - de Brasíllia

 

A autorização para abertura de inquérito contra oito ministros e dezenas de políticos, incluindo governadores, surpreendeu o Palácio do Planalto, na noite passada. O presidente de facto, Michel Temer, esperava uma decisão apenas na próxima semana. Sua orientação para a equipe, no entanto, é evitar levar a crise para dentro do governo. Indicou que cada um faça a sua própria defesa.

temer.jpgO presidente de facto, Michel Temer, escapou das investigações autorizadas por Fachin por uma filigrana jurídica

A expectativa no Planalto era de que a decisão somente fosse divulgada após o feriado de Páscoa. Assim, teria mais tempo para concluiu as articulações para fechar o relatório da reforma da Previdência. O discurso agora, porém é que os inquéritos não têm por que atrapalhar as atividades do governo. Uma fonte disse à reportagem do Correio do Brasil que o estrago já estava calculado. E, na Lista de Fachin, como ficou conhecido o documento, não havia grandes novidades.

— O imbróglio continua a mesmo, o cenário permanece igual. Não há fatos novos — disse a fonte.

Lista de Fachin

No Congresso, porém, a cena é bem diferente. Os parlamentares demonstram, em conversas reservadas, que a turbulência gerada pela Lista de Fachin afetou, sem sombra de dúvida, as negociações quanto às reformas propostas por Temer e sua equipe. Se já estava difícil, por exemplo, passar as alterações no texto sobre a Previdência, agora está quase impossível. Apesar da enorme base aliada, não há votos para aprová-la.

Na tarde passada, quando se previa votar o programa de ajuda aos Estados, o quórum desapareceu após a divulgação dos investigados no Supremo Tribunal Federal (STF). A medida atinge 24 dos 81 senadores e 35 dos 513 deputados, aí incluidos os presidentes das duas Casas - o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) e o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Fachin autorizou ainda abertura de inquérito contra três governadores e remeteu outros nove pedidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

— Não tem nenhuma novidade. O Congresso vai continuar funcionando. Não posso falar outra coisa. Não podemos esperar outra coisa. As instituições prevalecem — disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Padilha minimiza

Ao chegar para mais uma reunião sobre a reforma, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, também tentou minimizar o impacto.

— Tenho poucos elementos para poder me manifestar sobre isso, mas eu acho que está dentro da normalidade. Não acho que atrapalha — disse.

Há cerca de um mês, o presidente pessoalmente informou à imprensa que só afastaria ministros envolvidos em casos de corrupção quando fossem denunciados. Apesar do envolvimento de oito nomes do primeiro escalão, inclusive Padilha e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência — nomes muito próximos de Temer, a abertura de inquéritos não levará, neste momento, a demissões.
Questionado sobre a sua inclusão nos inquéritos, Padilha afirmou que não falaria sobre o caso.

— Não falo sobre esse assunto. Sobre esse assunto só falo nos autos do processo. Processo a gente fala nos autos — disse.

Moreira Franco afirmou, por meio de sua assessoria, que também não comentaria.

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