Advogados de Temer pedem que ministro Edson Fachin reconsidere ordem para responder perguntas da Polícia Federal, por escrito, em 24 horas
Por Redação - de Brasília
Os advogados de defesa do presidente de facto, Michel Temer, pediram na manhã desta quarta-feira que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin suspenda o interrogatório do presidente. Querem ganhar tempo, até que a Polícia Federal (PF) conclua a perícia no áudio da conversa entre ele e o empresário Joesley Batista. Temer admite, no entanto, o encontro com um dos donos da JBS e que fechou acordo de delação premiada.
Os advogados de Temer querem que Fachin reconsidere sua decisão para que a PF pergunte, por escrito. Pela decisão, o investigado teria 24 horas para responder após receber os questionamentos da polícia. Como pedido alternativo, a defesa quer que, caso Fachin mantenha o depoimento, não permita a realização de perguntas sobre a conversa entre Temer e Batista interceptada no dia 7 de março.
"Contudo, é de fácil percepção a absoluta impossibilidade de o presidente da República fornecer respostas enquanto não finalizada a perícia deferida como prioridade por Vossa Excelência. Especialmente, impossíveis de ser respondidos seriam eventuais quesitos que digam respeito a uma gravação que, de antemão, já se sabe fraudada", dizem os defensores, na petição ao Supremo.
Temer e Cunha
A defesa alega que não se pode dar o segundo passo antes do primeiro:
"A desejável celeridade para finalização das investigações não pode atropelar direitos individuais e garantias constitucionais", destacou.
Temer enfrenta grave crise política desde que veio a público a delação e a gravação da conversa. Nela, entre outros pontos, o empresário diz ter influência sobre dois juízes e um procurador. Ao que responde: "Ótimo, ótimo!".
O áudio da conversa tem cerca de 40 minutos. Na gravação, o mandatário e Batista conversam sobre o cenário político e econômico. Falam também acerca da situação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.