Este domingo, dia em que se celebrou 222 anos do nascimento de Simon Bolívar, herói venezuelano que lutou pela liberdade e unidade da América Latina, entra no ar a Telesur, canal via satélite gratuito voltado para a integração dos povos latino-americanos.
- A Telesur é uma nova presença que pretende construir uma nova ordem comunicacional para que os povos comecem a se conhecer melhor e a aprofundar esse conhecimento. A Telesur vai conscientizar os povos de que nós temos um destino comum para que eles saibam que só unidos nós poderemos alcançar a liberdade - declarou Andrés Izarra, presidente da emissora, durante a transmissão inaugural.
Para Izarra, o novo canal, além de propor uma alternativa à comunicação atual vai mostrar a verdadeira identidade dos povos sul-americanos.
- Vamos revelar a alma dos povos latino-americanos; romper com a ordem internacional de comunicação e expor a voz que está calada contra o imperialismo internacional - afirmou.
O diretor geral da multiestatal, Aran Aharonian, acredita que a Telesur é mais que uma alternativa, é o meio de comunicação capaz de resgatar a memória da América Latina.
- Com a Telesur nós vamos recobrar as palavras. Não é só uma ferramenta, é uma retomada da voz que nos tinha sido seqüestrada durante 33 anos de ditadura. Nós temos que fugir do estereotipo que colocaram sobre nós. A Telesur é o lançamento de uma fábrica latino-americana de idéias - disse.
Aharonian afirmou ainda que, é hora de todos se olharem no espelho e traçar um diagnóstico em direção a uma ação:
- Não podemos realizar o processo de integração se não nos conhecermos, se não confiarmos uns nos outros.
A nova empresa de comunicação sul-americana, com sede em Caracas, é financiada pelos governos da Venezuela, Argentina, Uruguai e Cuba e conta com correspondentes nesses quatro países e também no Brasil, na Colômbia, no México e nos Estados Unidos.
Elogios na França
A criação de uma emissora como a Telesur pode ser uma saída para a crise da mídia. A afirmação foi feita neste domingo pelo editor do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, durante a transmissão de lançamento da multiestatal.
- A Telesur é importante porque atualmente os meios de comunicação estão em crise. Não pela ausência de opção. Há vários meios, mas um único discurso - disse. Ramonet é um dos integrantes do Conselho Assessor da Telesur, formado por jornalistas, intelectuais e estudiosos do mundo contemporâneo.
De acordo com o editor francês, a nova emissora deve refletir se seus objetivos se adaptarão à necessidade dos telespectadores.
- Os meios não conseguem mudar a mente dos homens tão facilmente - disse.
Ele acrescentou que não é o fato de a nova emissora ter uma perspectiva diferente que fará mudar a mente das pessoas:
- O canal terá que se adaptar às necessidades técnicas, à criação e produção de informações interessantes e de qualidade.
Ramonet ressaltou que um dos maiores desafios da mídia é a busca pela qualidade.
- Uma das principais carências do mundo midiático atual é a qualidade. Se a Telesur quiser vencer a batalha pela soberania comunicacional terá que lutar por ela - afirmou.
Também participam do Conselho Assessor da Telesur os argentinos Adolfo Pérez Esquivel (Premio Nobel da Paz), Fernando Pino Solanas, Atilio Borón, Tristán Bauer; os cubanos Silvio Rodríguez e Julio García; os norte- americanos Harry Belafonte, James Early e Saul Iandau. O uruguaio Eduardo Galeano; o nicaragüense Ernesto Cardenal; o boliviano Jorge Sanjinés; os brasileiros Walter Salles, Fernando Morais e Orlando Sena; os mexicanos Pablo González Casanova, María Rojo e Carmen Lira; o paquistanês Tariq Ali; o belga Michel Collon; os colombianos Alfredo Molano e Ramiro Osório; o peruano Javier Corcuera; o v