Uma tela de Raphael comprada este mês pela National Gallery britânica por 41,7 milhões de dólares é falsa, disse um professor de arte norte-americano.
A galeria adquiriu o quadro ``Madona dos Cravos'', que descreveu como a tela mais importante de um grande mestre existente em uma coleção britânica, após uma disputa acirrada para conservá-la no país.
Mas James Beck, professor de história da arte na Universidade Columbia, em Nova York, e presidente da ArtWatch International, disse ao The Times, em sua edição desta sexta, que a galeria ``pagou um preço recorde por uma tela falsificada''.
``Eles não fizeram sua lição de casa'', declarou Beck. ``É uma vergonha. A National Gallery não chegou a verificar o quadro fisicamente.''
``Quando se está gastando dinheiro do governo, ou de qualquer pessoa, isso é uma omissão. Francamente, é uma espécie de arrogância do establishment.''
O quadro, cujo título se refere ao fato de retratar a Virgem Maria com um maço de flores cor-de-rosa, foi comprado do duque de Northumberland.
Um antepassado do duque adquiriu a tela, pintada em 1507-1508, em 1853, mas durante anos ela foi vista como cópia -- até 1991, quando Nicholas Penny, o curador da National Gallery, a examinou e a saudou como a obra-prima redescoberta.
Beck disse ao jornal que suas pesquisas o levam a crer que a tela da National Gallery foi, na realidade, pintada em 1827 por Vincenzo Camuccini, copista frequente de Raphael e falsificador reconhecido.
``Acho que ele fez isso não apenas pelo dinheiro, mas também para competir com os grandes mestres e ludibriar o público'', afirmou o professor.
A National Gallery listou 40 versões da tela espalhadas pelo mundo, e Beck disse que já encontrou pelo menos cinco outras. O professor disse acreditar que nenhuma das versões sobreviventes seja de Raphael.
A National Gallery informou que a tela, que mede apenas 29 por 23 centímetros, tem acabamento e coloração diferentes de outras obras de Raphael, mas afirmou que seguiu a opinião de 25 especialistas no pintor, todos os quais confirmaram sua autenticidade.
Os 41,7 milhões de dólares gastos pela galeria para adquirir o quadro foram levantados pela Loteria Nacional britânica e por doações do público.