Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

TEDx AM: Manoel Cunha conta como saiu da escravidão

Sexta, 24 de Junho de 2011 às 17:46, por: CdB

ManoelCunha nasceu no meio do Amazonas e até os 24 anos viveu em um regime de semi-escravidãotrabalhando nas colocações de seringueiros na floresta amazônica. Os dias desofrimento e humilhação começariam a terminar quando Cunha ouviu na rádio queum grupo do Movimento de Educação de Base (MEB) faria um trabalho demobilização com os seringueiros.

"Elesforam na casa do meu pai e falara dessa outra vida que é possível se viver. Eeles diziam ‘vocês podem se organizar, os seringueiros da ponta de cima com osda ponta de baixo, com os do meio, e formar uma comunidade. Aí vocês criam forçapara reivindicar a escola, o posto de saúde, e aí os filhos de vocês vão poderestudar’”, conta durante sua apresentação no TEDx Amazônia.

"Foi aprimeira vez que ouvi falar da força da mobilização e o poder das associações.Foi o dia de maior alegria da minha vida. Descobri que existia uma outra formade viver, viver dignamente” – Manoel Cunha.

Desdeesse dia a vida do amazonense que aprendeu a ler graças à própria força devontade mudou drasticamente. Ele se organizou com os outros seringueiros e, em1997, criaram a primeira reserva extrativista do estado do Amazonas, no MédioJuruá, que já é vista como referência para várias outras.

Apesarde se apresentar como "apenas um de muitos extrativistas escondidos nas camadasdas florestas”, Cunha se tornou presidente do Conselho Nacional dosSeringueiros e, apesar de nunca ter entrado na escola, hoje ensina como viverem harmonia com a floresta de forma sustentável olhando para as futuras epresentes gerações.

"Quandose ensina para as comunidades o verdadeiro valor da floresta e aresponsabilidade do trabalho de preservação, não precisa de lei, nem defiscais, a própria comunidade é fiscal quando compreende esse processo e a suaimportância” – Manoel Cunha.

Comoresultado de tanto esforço, hoje toda a produção do Médio Juruá é vendidaatravés da associação ou da cooperativa. A comunidade já fornece de 15 a 20toneladas de óleo diretamente para as grandes empresas do país. "Somos um povoque conseguiu, dentro dos seus esforços, da perseguição da polícia e dos patrões,encontrar formas de sobreviver e de forma sustentável”, diz.

Nofinal da apresentação, Cunha lembra que a maior causa da devastação da Amazôniaé a ganância da moeda. "Mas as pessoas não compreendem que quando não tivermais água potável pra beber, não tiver mais ar pra respirar, o dinheiro não vaivaler mais nada. Não vai salvar nem a minha vida, nem a vida do meu filho, nema vida do planeta”.

Assista à apresentaçãona íntegra:

Tags:
Edições digital e impressa