Como ocorreu com três pessoas nos últimos dias, a sofisticada tecnologia do programa Delegacia Legal ajuda a prender condenados pela Justiça. São pessoas condenadas ou com mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça que, ao ir a uma das 87 delegacias legais para registrar ocorrência de que foram vítimas, são surpreendidas com o resultado das pesquisas que o atendente é obrigado a fazer no banco de dados do programa.
Júpter Ferreira Dias, de 33 anos, teve este dissabor no dia 2 de janeiro, ao ir à 43ª DP, Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, para comunicar o furto do seu carro Verona, placa LJD 6720, ocorrido na noite de Réveillon, em Pedra de Guaratiba, na mesma Zona Oeste do Rio: acabou preso, quando os policiais descobriram que havia mandado de prisão preventiva contra ele, expedido em 1996 pela 4ª Vara Criminal, pelo assassinato de uma mulher.
Também teve desagradável surpresa o pastor evangélico Waldomiro Souza Amparo na noite de Natal. Levado à 58ª DP (Posse), Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, por policiais militares, depois de brigar e ameaçar o vizinho Daniel Silva da Fonseca, 25 anos, que reclamara do alto som do culto na igreja na Estrada da Guarita, o pastor recebeu voz de prisão quando os policiais descobriram que existia contra ele mandado de prisão por homicídio, expedido em 1999 pela 1ª Vara Criminal de Nilópolis, também na Baixada.
O terceiro caso ocorreu no dia 3 de janeiro com o ex-PM Isac Nildo da Silva Lima, 40 anos, ao ir à 62ª DP (Imbariê) reconhecer os três homens que roubaram sua moto Honda Titã, placa LHF 6409, na rodovia Rio-Magé. Ao consultar o banco de dados, os policiais descobriram que o ex-PM estava condenado a sete anos de prisão pela 25ª Vara Criminal do Rio de Janeiro desde 1997, por roubo de veículo.
A descoberta de condenados foragidos da Justiça só é possível porque todas as 87 delegacias legais são conectadas a uma central de dados que armazena todos os boletins de ocorrências e mandados judiciais, permitindo que essas informações fiquem disponíveis entre as delegacias.
- Atualmente, com a implantação do programa Delegacia Legal, o Estado do Rio de Janeiro pode orgulhar-se de estar montando o maior banco de dados na área de segurança pública do país. Esse banco já tem mais de 12 milhões de informações em 350 mil prontuários policiais e um milhão de ocorrências registradas -- revela César Campos, coordenador do programa.
Além da sistematização dos procedimentos e da reforma física e da construção de novos prédios das unidades policiais, o programa Delegacia Legal, com suas 87 delegacias implantadas, utiliza 1.500 computadores, 300 impressoras, 87 scaners, 87 máquinas fotográficas com software e placa ICA, 87 no breaks de 15 Kva (para manter os equipamentos de informática ligados em caso de falta de energia), 87 roteadores e switches, formando rede remota que interliga, além das 87 unidades policiais, instituições afins, como Ministério Público, Detran e Proderj.
Para melhorar e garantir bom desmpenho do sistema até o final da implantação do programa Delegacia Legal, os servidores da central de dados foram trocados por novas máquinas durante o mês de dezembro. Havia necessidade de substituição dos antigos servidores que funcionavam desde o início do programa em 1999 e já estavam no limite da capacidade. Além disso, era necessário garantir a qualidade no tempo de resposta do sistema que processa os dados nas delegacias para garantir a continuidade do programa, com servidores de processamento de dados capazes de suportar todas as delegacias do programa (atuais e futuras) num prazo de vida útil de pelo menos mais cinco anos.