Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Técnico Júnior deseja que o ano acabe logo

Quarta, 08 de Outubro de 2003 às 21:31, por: CdB

O fiasco do time até que saiu barato para o Corinthians. Sem a presença do vice-presidente de Futebol Antonio Roque Citadini, que não foi ao vestiário, o que deveria ser um protesto da Gaviões contra a diretoria se transformou em um manifesto de apoio ao técnico Júnior.
 
O presidente da Gaviões, Ronaldo Pinto, tentou procurar o treinador para ratificar o apoio da torcida organizada, mas não conseguiu. Os seguranças impediram o contato no vestiário por ordem da diretoria.
 
- Vocês se queimaram na festa de aniversário do clube. Agora, todo mundo vai passar batido, sem falar com vocês - afirmava um segurança.

Ronaldo não desistiu de conversar com Júnior e permaneceu ao lado do ônibus até a saída. Antes de se aproximar do técnico, falou à Agência Estado:
 
- Ele (Júnior) não tem culpa. O time é muito fraco. A culpa é de quem montou esse grupo, a diretoria.

Júnior ficou praticamente sozinho no vestiário, ao lado do gerente de Futebol, Edvar Simões, que não é bem um diretor. Rivellino viu o jogo das tribunas e foi embora de lá mesmo. O único dirigente que resolveu enfrentar a situação foi Andrés Sanches, vice-presidente de esportes terrestres, que só deixou o vestiário após a saída do último jogador. Andrés, no entanto, não quis polemizar a situação.
 
- Só estou aqui para acompanhar a movimentação - disse.

Júnior estava extremamente calmo no vestiário. Enfrentou todas as perguntas respondendo-as no mesmo tom de voz. Deixou claro que o futuro do time até 31 de dezembro será tenebroso.
 
- Vai ser um final de ano para todos nós. Para a torcida, que não está acostumada às derrotas freqüentes, e para nós, que estamos trabalhando. Como vamos melhorar essa situação é a grande dúvida. Todos que acompanham o Corinthians têm consciência do que acontece. Não preciso eu ficar repetindo - falou.

O treinador também reconheceu indiretamente que os jogadores precisarão dar uma resposta mais efetiva nas próximas partidas. Júnior admitiu que o grupo esteve um pouco apático no jogo da última quarta-feira.
 
- Não foi nenhuma surpresa o que aconteceu, principalmente enfrentando um time organizado como o São Caetano. Eles jogaram e não deixaram a gente jogar. Mereceram a vitória, sem a menor contestação. Cabe a nós encontrar soluções para a equipe. Não será fácil diante de tantas deficiências, mas vamos trabalhar - contou.

Dos jogadores, ao mais cobrados foram André Luiz e Jamelli. André reconheceu que os jogadores mais experientes terão de segurar a bronca.
 
- Num momento como esse, é fundamental manter a tranqüilidade - disse.

 Jamelli fez quase o mesmo discurso, mas não esqueceu algumas justificativas para o seu desempenho medíocre.
 
- Joguei como atacante, fora de posição. Não sei jogar de costas para o gol - falou.

O atacante, porém, reconheceu em parte que os mais experientes devem assumir a responsabilidade.
 
- Não vamos fugir dessa responsabilidade, mas seria bom que todos participassem com uma parcela disso. Afinal, não dizem que quando o time ganha todo mundo ganha? Então, quando perde, todo mundo deveria assumir a derrota, não é mesmo? - questionou.

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