Por Vinícius Rodrigues
Era o dia 20 de janeiro de 1979. Naquele sábado, o estádio do Canindé recebia a final da Copa São Paulo de Futebol Júnior entre Marília e Fluminense (RJ). A equipe do interior venceu por 2 a 1 e levou para a cidade um título inédito e recebido com muita festa. No banco de reservas, Walter Zaparolli, então com 33 anos, dava seus primeiros passos à beira do gramado e a primeira alegria a um time paulista.
Palavra de Técnico
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Formado em Educação Física com curso técnico especializado em basquete, handebol, vôlei e futebol, Zaparolli preferiu a carreira dentro dos gramados e com a bola nos pés. Como jogador, não passou do futebol amador, quando atuava na função de volante. "Mas, minhas condições técnicas eram limitadas e fui inteligente em não persistir nisso", diz o treinador de 64 anos que carrega no currículo 14 acessos a outras séries espalhados pelo Brasil, 11 em São Paulo.
Casado, pai de três filhos e com quatro netos, Zaparolli bem que tentou, mas dentre tantas conquistas, até o momento não conseguiu deixar dentro das quatro linhas um membro da família. "Tenho um neto muito alto, mas ele gosta mais de lutas. Tentei fazer dele goleiro, mas não gostou muito da ideia", lamentou.
Atualmente, Zaparolli é o treinador do Taubaté e disputará a Copa Paulista pelo Clube.
FPF: Com mais de 30 anos de carreira, pode-se afirmar que o título com o Marília foi o mais marcante?
Zaparolli: Sem dúvidas. Até hoje considero inesquecível e 32 anos depois ainda sinto o sabor de campeão.
FPF: Mas, além dessa marca com o Marília, você é muito conhecido por conquistar muitos acessos. É possível definir alguma campanha que tenha sido mais complicada ou marcante?
Zaparolli: Tenho 14 acessos, 11 em São Paulo. É difícil escolher algum que seja mais importante que o outro, mas pelo Novorizontino, em 1986, decidíamos com a Francana quem disputaria a final com o Mogi Mirim. Levamos um gol aos 43 minutos. A torcida foi embora e empatamos aos 46 conseguindo a vaga.
FPF: E dentre os clubes que passou, conseguiu acesso e fez história. Qual é o mais querido?
Zaparolli: O Velo Clube me marcou muito. Trabalhei lá no final do ano de 1990. Fiquei em 91 e 92. Voltei em 1994, novamente em 1996 e por fim em 1998. Quer dizer, quase 60% de uma década dedicada a um clube onde montamos boas equipes, que conquistamos a torcida e a história da cidade.
FPF: E qual foi o técnico de grande projeção que sempre lhe inspirou?
Zaparolli: Fiz vários cursos com diversos treinadores. Com o Telê, Parreira, Muricy... Mas gosto muito de técnicos antigos também. Porém, hoje as características são diferentes. Sempre admirei o Telê e hoje acho o trabalho do Muricy muito bom.
FPF: Dentre vários jogadores que passaram por suas equipes, quais foram os mais conhecidos?
Zaparolli: Trabalhei com o Doriva, com o Ailton, mas o mais conhecido foi o Serginho Chulapa. Trabalhamos juntos no São Caetano, no final de 1992, e no Atlético de Sorocaba em 1993.
FPF: Ele foi um jogador polêmico. Não teve nenhum problema com o Chulapa?
Zaparolli: Pelo contrário. Dentro do campo foi responsável e consciente. No final da carreira a tendência é de falar pouco. Ele nunca me deu trabalho.
FPF: Não é a primeira vez no Taubaté, certo?
Zaparolli: Não, é a minha quarta. Já passei por muitos clubes e diversas vezes. No Rio Preto foram três vezes, no Velo Clube mais seis, no Marília três vezes, duas no Tupã, no Atlético de Sorocaba e no São Caetano...
FPF: E em todos criou boa relação?
Zaparolli: Todas as equipes em que participei da montagem do elenco, todas elas, chegaram às últimas fases dos respectivos campeonatos. Agora, é difícil assumir uma equipe já montada e no meio de um campeonato.
FPF: E consegue projetar alguma coisa para a campanha com o Taubaté?
Zaparolli: Gostei do nível técnico dos jogadores. Tenho jogadores que já trabalharam comigo e gostei do que vi e acho que temos um trabalho para ser realizado. Estou esperando a partir do grupo montar um time e, por aquilo que vi, dá para conseguir uma classificação.