Estréia no dia 15 de janeiro, na sala Tônia Carrero, do Teatro Leblon, no Rio de Janeiro, a peça Tomo suas mãos nas minhas, baseado na na história de amor entre Anton Tchekhov e Olga Knipper. O espetáculo tem no elenco Roberto Bomtempo e Miriam Freeland.
O texto, da dramaturga norte-americana Carol Rocamora - reconhecida como uma das melhores tradutoras da obra de Tchekhov para o inglês, é baseado na correspondência amorosa dos dois: ela, uma jovem atriz iniciante; ele, um escritor renomado mais velho e já doente de tuberculose. O casal se conhece em uma leitura de A Gaivota no Teatro de Arte de Moscou.
Devido ao clima gélido daquela cidade, Tchekhov passava uma boa parte do ano em Ialta, longe de Olga, que precisava permanecer em Moscou por conta dos seus compromissos com o teatro. Esta situação gerou uma intensa troca de correspondência entre os dois, ao todo foram mais de 400 cartas durante o período de seis anos. Um texto belíssimo, comovente e autêntico sobre o amor.
O texto, inédito no Brasil, está sob a direção de Leila Hipólito, que tem no currículo o roteiro e direção de diversas produções para o cinema e TV, entre eles, o longa As alegres comadres e o curta Decisão que lhe rendeu 4 Kikitos no Festival de Gramado em 1997.
– Pretendemos com esse espetáculo mostrar uma faceta da vida de um dos maiores dramaturgos da história do teatro. Essa obra possui várias camadas de compreensão podendo ser interpretada tanto como uma história de amor, passando pelo processo de angústia e criação do autor, como um revival dos ensaios e representações do Teatro de Arte de Moscou, fundado e dirigido por Constantin Stanislavski e Vladimir Dantchenko, figuras mitológicas da dramaturgia mundial –, explica Leila Hipólito.
Estrelada pelo casal de atores Miriam Freeland e Roberto Bomtempo, a encenação de Tomo suas mãos nas minhas marca também a celebração pelos 25 anos de carreira de Bomtempo.
– Estou vivendo um momento muito especial: a alegria de comemorar 25 anos de trabalho e o desafio de interpretar um personagem com o qual me identifico completamente. É um privilégio personificar Tchekhov, que era querido, digno e ético –, afirmou o ator.
Sinopse
Anton Tchekhov conhece Olga Knipper, ensaiando sua peça A Gaivota. A atriz, jovem e talentosa o atrai imediatamente e acrescenta a esta admiração uma intensa paixão.
Entretanto, Tchekhov é tuberculoso, o que o obriga a morar afastado de Moscou, onde Olga trabalha arduamente no Teatro de Arte de Moscou. O sentimento amoroso e a admiração mútua são alimentados por algumas estadias juntos e por belíssimas cartas que são a base da peça.
Esta intensa correspondência trocada pelos dois personagens começa contando o primeiro encontro de Olga e Tchekhov em Moscou e continua com o aprofundamento da relação: o enamoramento inicial; a vida de amantes; o amor mútuo que cresce apesar da dificuldade de relacionamento entre a família de Tchekhov e Olga; o pedido de casamento de Olga e a aceitação por Tchekhov até então um galanteador convicto. E a partir do casamento acontecem os diversos e belos momentos amorosos deste casal.
Olga estimula Tchekhov a escrever suas novas peças, As Três Irmãs e O Jardim Das Cerejeiras. Deduz-se que Olga foi a mola propulsora que impeliu Tchekhov a escrever essas duas peças magistrais, e foi a nova visão que Nemirovich e Stanislavsky dão a suas quatro obras primas no recém formado Teatro de Arte de Moscou é que as fazem ter o sucesso retumbante que alcançaram na Rússia nos últimos anos do século XIX.
Esta dramaturgia de Tchekhov é permeada por momentos alegres e difíceis, entre a atriz e o autor. Tanto Olga continua com dificuldade de se relacionar com a família de Tchekhov – especialmente com sua irmã, Masha, quanto o avanço da doença deste impõe longos períodos de afastamento entre os dois. Em paralelo a cumplicidade e o amor dos dois que aumenta com o tempo. É em um momento de perfeita harmonia entre os dois que Tchekhov diz adeus a vida, ao lado da amada Olga, seis anos após se conhecerem.