Representantes de países dos cinco continentes e de 16 estados brasileiros participam até domingo da Conferência Internacional de Teatro do Oprimido, que ocorre nesta capital. Criado pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal, em 1986, esse método visa a democratizar a produção teatral, facilitando o acesso das camadas mais pobres à arte e aproximando o ator do espectador.
Segundo a coordenadora do Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro, Helen Sarapecki, o objetivo o encontro é reunir pessoas que trabalham com essa dramaturgia em diversas partes do mundo, em culturas completamente distintas, para trocar ideias e fazer parcerias.
- E também pensar em uma meta para o futuro, em como avançar com esse movimento mundial já definido. Essa é a proposta -, afirmou.
Até quinta-feira, qualquer interessado poderá participar da conferência, que, de sexta-feira até domingo, será fechada ao público. Nesses dias, 80 adeptos da metodologia do Teatro do Oprimido vão debater propostas que serão levadas a um evento internacional marcado para julho do ano que vem, em Belém, como parte do do Congresso Mundial da Associação Internacional de Drama/Teatro e Educação.
Helen disse que o método criado por Boal em parceria com artistas populares é revolucionário, porque dá às pessoas instrumentos para que façam sua própria revolução, depois, a de sua comunidade, e a de todo mundo em volta.
- É uma metodologia muito simples, que qualquer um pode usar para discutir seus problemas do dia a dia. As pessoas montam um espetáculo com os problemas que elas vivenciam.
Problemas comuns em todo o mundo, como a opressão contra a mulher, a homofobia, o racismo e o preconceito social são temas sempre abordados no Teatro do Oprimido, ressaltou Helen.
- O Teatro do Oprimido ajuda nessa discussão. Não vamos acabar com a opressão, por exemplo, mas vamos tentar encontrar alternativas de transformação.
De acordo com Helen, atualmente, o método é adotado em no mínimo 70 países, pois é universal e estimula a participação das camadas mais oprimidas da sociedade.
O Centro de Teatro do Oprimido desenvolve projetos com movimentos sociais, comunidades carentes, hospitais psiquiátricos, presídios e escolas.
- Isso no Brasil e fora do país”, informou Helen Sarapecki. Durante a conferência, haverá espetáculos teatrais abertos ao público todas as noites, no Teatro de Arena do Conjunto Caixa Cultural do Rio de Janeiro.
O criador do Teatro do Oprimido morreu em maio deste ano, aos 78 anos, no Rio de Janeiro.