Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

TCU avalia quebra de sigilo em cartões de crédito da Presidência

A revista Isto É Dinheiro publica, na edição deste fim de semana, que os gastos da Presidência da República tiveram um aumento da ordem de R$ 5,5 milhões entre janeiro e agosto deste ano. O números foram considerados muito altos por ministros do Tribunal de Contas da União. (Leia Mais)

Domingo, 21 de Agosto de 2005 às 09:25, por: CdB

A revista Isto É Dinheiro publica, em sua edição deste fim de semana,  que os gastos da Presidência da República tiveram um aumento da ordem de R$ 5,5 milhões entre janeiro e agosto deste ano. As despesas, pagas com os cartões de crédito corporativos do governo federal - usados para pagar as compras realizadas por funcionários do Gabinete da Presidência da República, da Granja do Torto e dos ministros que assessoram o presidente, tornaram-se alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), que poderá decretar a quebra do sigilo destas movimentações nos próximos dias.
 
A reportagem, assinada pelo jornalista Hugo Studart, obtida a partir de documentos sigilosos a que disse ter acesso, mostra que as faturas dos cartões usados pelo Palácio do Planalto cresceram de cerca de R$ 5,5 milhões entre janeiro e agosto de 2004 para R$ 10,2 milhões do início deste ano até o último dia 18, dos quais R$ 6,8 milhões teriam sido sacados em dinheiro vivo. Faturas no valor de R$ 3,2 milhões referentes a despesas feitas em 2004 apontariam retiradas de R$ 2,2 milhões em espécie. O procedimento levantou suspeitas entre o ministros do TCU já que os cartões foram adotados justamente para dar mais transparência aos gastos com estadia, alimentação e transporte das autoridades, que não precisam ser feitos em dinheiro em sua maioria.

"Até a última quinta-feira, as faturas dos cartões corporativos do governo federal somavam exatos R$ 10.268.310,98, segundo dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro da Administração Federal (Siafi). Do total, R$ 5.670.849,53 referem-se a despesas do gabinete do presidente", diz a reportagem.

Os cartões seriam utilizados por 53 funcionários do governo, chamados de ''ecônomos''. Os ecônomos Clever Pereira Fialho e Maria Emília Matheus Évora, que costumam acompanhar Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia, foram os que mais gastaram no período de 2004 estudado, segundo a denúncia. Clever, segundo a reportagem, teria somado despesas de mais de R$ 1 milhão e R$ 226,9 mil em saques em dinheiro. Já Maria Emília teria gasto R$ 441,5 mil, com saques no valor de R$ 198,1 mil.

O pedido de devassa nas contas foi feito no dia 14 de julho pelo procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no TCU, e deve ser analisado pelos sete ministros do Tribunal nos próximos dias. Alguns deles, como Ubiratan Aguiar, relator do processo, e Marcos Vilaça já manifestaram surpresa com os números. Nesta quinta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros, encaminhou requerimento do PSDB ao Planalto no qual pede explicações sobre os gastos.

Desde o início do governo Lula, as despesas com os cartões sem prestação de contas já somam R$ 18,7 milhões. Os cartões foram adotados durante o governo Fernando Henrique, período no qual as faturas eram enviadas ao TCU. O governo Lula passou a tratá-las como assunto sigiloso deixando de enviá-las, além de ter retirado do Siafi informações referentes aos gastos.

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