— Este deve ser o fim da guerra — disse Charles Taylor ao renunciar, nesta segunda-feira, à presidência da Libéria. A cerimônia da passagem do cargo ao vice-presidente Moses Blah acontece na capital do país, Monróvia, e tem a presença de líderes de países da África Ocidental.
Taylor afirmou acreditar que a história vai ser "gentil" com ele.
— A história precisa mostrar os fatos — disse, num discurso em que ressaltou que o povo da Libéria precisa decidir seu próprio futuro e que os líderes africanos precisam assumir suas responsabilidades.
— A Constituição precisa continuar intacta — disse Taylor, afirmando que nenhum outro poder tem autoridade para mexer na carta magna liberiana.
Ele agradeceu ao país e também ao presidente americano George W. Bush, que "tomou decisões baseadas em mentiras" mas "é um cristão".
— Acredito que Deus revelará a verdade a ele — disse.
O presidente de Gana, John Kufuor, que esteve presente à cerimônia, afirmou que o sucessor Blah, dirigirá um governo interino até 2 de outubro, data em que serão realizadas eleições. Os rebeldes liberianos não vêem a simples passagem de cargo para o vice de Taylor, que foi seu aliado no golpe que o levou à presidência, como solução para o conflito no país.
Antes da cerimônia um porta-voz de Taylor disse à agência France-Press que o agora ex-presidente precisa de "alguns dias" para pôr seus assuntos em ordem antes de viajar para a Nigéria, onde deve se exilar.
Segundo uma fonte do governo nigeriano ouvida pela agência, Taylor chegaria à capital nigeriana, Abuja, acompanhado pelos presidentes de Moçambique, Joachim Chissano, e de Kufuor.
A tão esperada transferência de cargo que aconteceu nesta segunda é considerada vital para o fim de 14 anos de combates ininterruptos, começando por uma guerra de sete anosdeflagrada por Taylor em 1989, na qual cerca de 200 mil pessoas morreram.
Nos últimos cinco anos, Taylor se viu sitiado por dois movimentos rebeldes, que juntos tomaram 80% do território deste estado africano, que já foi próspero.
Segundo Kufuor, a renúncia de Taylor é a apenas a primeira parte de um acordo, que também inclui a instalação de um governo provisório interino dirigido por Blah e a convocação de eleições.