Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Taxista está com bala alojada na cabeça

Segunda, 09 de Fevereiro de 2004 às 00:11, por: CdB

- O barulho deixa a gente surdo. Depois, sente-se a bala, quente, rompendo dentro da cabeça, enquanto vai esfriando. Aí, vem uma tonteira e o sangue começa a esguichar, antes de desmaiar. É uma sensação horrível - descreve o taxista Wanderley Pereira Lima, 41 anos, mais uma vítima da violência urbana. Milagrosamente, ele conseguiu sobreviver após levar um tiro na cabeça na madrugada do último dia 24 de janeiro, durante um assalto.

Abatido, cinco quilos mais magro e ainda com a bala calibre 22 alojada no crânio, o que, ele explica, lhe provoca vertigens, purgação no ouvido direito e certa paralisia no lado direito da face, Wanderley não esconde o temor em relação ao futuro.

O taxista não tem certeza se poderá ser submetido à cirurgia para retirada do projétil, da mesma forma que não sabe se voltará a trabalhar. Ele era diarista, pagando diárias ao proprietário do veículo, e a atividade era sua única fonte de renda, com a qual pagava pensão alimentícia de duas filhas, de 14 e 15 anos.

Depois de baleado, Wanderley foi socorrido no Hospital de Pronto Socorro João XXIII (HPS), de onde foi transferido para o Hospital da Baleia. Lá, ficou internado durante uma semana, sendo submetido a várias tomografias e retirada de líquido espinhal, num processo bastante doloroso. Em 24 de janeiro, por volta das cinco horas, dois rapazes entraram no táxi de Wanderley e pediram para ir ao Bairro Vista Alegre.

- Não desconfiei de nada, eram bem vestidos. Um deles, que se sentou na frente, disse que havia comido um mexido e estava com enjôo. Quando arranquei o táxi, ele apontou o revólver para mim - relembra.

Seguindo pela Avenida Amazonas, no desespero, Wanderley acabou invadindo o 5º Batalhão, da PM, no Bairro Gameleira, Região Oeste de BH, mas acabou levando um tiro na cabeça, disparado pelo ladrão que estava na frente e que fugiu levando a arma.

Policiais militares prenderam em seguida Adriano Pereira Silveira, 21 anos, como sendo o parceiro do ladrão que atirou, mas ele nega e diz ter sido vítima de um engano. O atirador até hoje está em liberdade, acredita Wanderley.

Desde então, Wanderley está sobrevivendo graças à solidariedade de seus nove irmãos, que estão custeando seus remédios - cerca de R$ 130 semanais - além de outras despesas. Seus colegas também fizeram uma 'vaquinha' para ajudar nas despesas iniciais.

- Graças a Deus escapei com vida. Se a bala tivesse desviado uns milímetros, eu teria morrido. Agora, preciso retomar minha profissão, ser taxista é o que sei fazer, mesmo sentindo essa tonteira - acredita.

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