Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Táticas dos EUA no Iraque incomodam Londres

Domingo, 23 de Maio de 2004 às 11:39, por: CdB

O governo do Reino Unido está incomodado com as "táticas militares severas" dos Estados Unidos no Iraque, segundo um memorando do Ministério de Exteriores britânico divulgado hoje pelo The Sunday Times. O documento, afirma hoje o jornal, consta de seis páginas datadas no último dia 19 e analisa a estratégia do Executivo de Londres ante a transferência de poder a um Governo de transição iraquiano, previsto para o próximo dia 30 de junho.

O memorando diz que "as táticas militares severas dos EUA em Faluja e Najaf há várias semanas reavivaram a oposição dos sunitas e xiitas contra a coalizão, e nos fez perder muito apoio público dentro do Iraque". "O escândalo do tratamento aos prisioneiros em Abu Ghraib (arredores de Bagdá) minou a autoridade moral da coalizão, dentro do Iraque e internacionalmente", indica também o relatório. Além disso, o documento fala "da necessidade de redobrar nossos esforços para garantir um enfoque sensível e sensato dos Estados Unidos em suas operações militares", e acrescenta que não deveriam "subestimar as atuais dificuldades" no Iraque.

Segundo o jornal, a divulgação desmente a insistência pública do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em que não existem diferenças entre Londres e Washington sobre o Iraque. Blair foi criticado na quinta-feira passada pelo líder da oposição conservadora, Michael Howard, que lhe reprovou o não expressar publicamente suas discrepâncias com o presidente americano, George W. Bush.

No entanto, o primeiro-ministro advertiu esse mesmo dia a seu Gabinete que discrepar abertamente da Administração americana poderia comprometer a "moral" das tropas no Iraque. O chefe do governo britânico se caracterizou por sua política de trabalhar "lado a lado" com Bush desde os atentados terroristas do 11 de setembro de 2001 contra Estados Unidos.

No entanto, alguns membros do Partido Trabalhista, incluído o vice-primeiro-ministro britânico, John Prescott, expressaram suas dúvidas sobre essa política.

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