A Operação Vampiro, da Polícia Federal, que resultou na prisão de 16 pessoas suspeitas de envolvimento em fraudes na compra de hemoderivados para o Ministério da Saúde, reacendeu as discussões sobre as medidas de combate à corrupção no governo federal. O ministro da Educação, Tarso Genro, defende que o governo está conseguindo atacar o problema de frente, embora admita que acabar com a corrupção no Brasil é uma tarefa difícil.
"Eu diria que uma blindagem contra a corrupção é impossível. Porque hoje a corrupção é uma relação nacional, global, estrutural em todos os estados", argumentou.
Na avaliação de Tarso Genro, o governo deve ter mecanismos de repressão e de punição que garantam o combate imediato às práticas de corrupção. "O estado brasileiro, na minha opinião, é historicamente frágil para combater a corrupção, e às vezes isso leva a problemas sérios de governo. Obviamente a oposição sempre estabelece uma relação do vínculo da corrupção com o governo. Às vezes poder ser, mas ordinariamente são grupos organizados, no interior da estrutura do estado brasileiro que, inclusive, passam de um governo para outro".
Para a organização não governamental Transparência Brasil, que há quatro anos luta pelo combate à corrupção no país, o presidente Lula ainda não colocou em prática o modelo esperado para coibir os abusos na administração federal. "Não adianta o presidente dizer que simplesmente combate o problema. Só se resolve mexendo nos métodos de administração. É um erro grave, não apenas nesse governo, achar que esse problema se combate mudando pessoas. É um problema do sistema", garantiu o diretor-executivo da organização, Cláudio Abramo.
A Operação Vampiro, segundo Abramo, é apenas mais um exemplo de método que não prioriza a prevenção. "Não se pode dizer que a Operação Vampiro é realização do governo. Eu acho que o governo foi correr atrás do prejuízo, e não prevenir a corrupção", disse.
Já o ministro Tarso Genro acredita que as irregularidades levantadas pela Operação Vampiro, assim como pelo episódio Waldomiro Diniz, não são responsabilidade do Executivo. "O governo atual caçou o vampiro e mostrou a corrupção que havia no Ministério da Saúde. Esses são fatos que acontecem em qualquer governo. Aquilo que ocorreu com o Waldomiro, até comparativamente com o que está acontecendo agora é muito pequeno, não é de responsabilidade do governo", ressalta.
Genro lembrou que os desvios descobertos no Ministério da Saúde ocorreram antes do governo Lula, mas evitou apontar responsáveis. "Pelo princípio da boa fé, posso dizer que o governo federal anterior não sabia o que estava ocorrendo. O que nós devemos fazer? Culpar o Serra? Dizer que ele estava envolvido? Absolutamente não. Temos que demonstrar que esses fatos acontecem em todos os governos".