Ministro da Justiça, Tarso Genro negou que a Polícia Federal tenha monitorado o gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e classificou a denúncia de “absurda”. Nota publicada no jornal paulistano Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira, afirma que o gabinete da presidência do STF foi monitorado a pedido do juiz Fausto de Sanctis.
Na noite de quarta-feira, Gilmar Mendes concedeu habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, um dos presos durante a Operação Satiagraha, realizada pela Polícia Federal. Um dia depois, o banqueiro teve a prisão decretada novamente pelo juiz Fausto de Sanctis.
- Conversei com o juiz pela manhã (desta sexta-feira), que me falou que isso é um absurdo, conversei com o ministro Gilmar, e pedi que o Luiz Fernando (Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal) colocasse a PF à disposição do ministro para investigar - afirmou o ministro.
Segundo Tarso Genro, legalmente um juiz federal não poderia determinar o monitoramento de um ministro do Supremo, só outro ministro da Corte poderia.
- Se eventualmente, (um juiz) determinasse o (monitoramento), a PF não cumpriria, porque seria uma ordem ilegal. Tem alguém, a soldo de alguém, plantando provavelmente uma intriga - disse o ministro.
Sem distinção
Pela manhã, ao discursar durante cerimônia de formatura de agentes e peritos criminais da Polícia Federal (PF), o ministro da Justiça, Tarso Genro, orientou os novos policiais a não agir com distinção entre classes sociais. O ministro voltou a afirmar que o uso de algemas durante a Operação Satiagraha foi correto. Ele questionou o porquê de as pessoas que criticam o uso de algemas não mencionarem também a agressão a um porteiro durante a prisão de um dos suspeitos na ação da PF.
- O porteiro é menos cidadão que o algemado? Não é menos e não é mais. Temos que verificar sempre o empurrão no porteiro, porque esse sim representa a maioria da população - afirmou.
O ministro também questionou de quem é a responsabilidade de zelar pelo cumprimento da Constituição. Para ele, tanto o Poder Judiciário quanto a Polícia Federal têm esse dever.