Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Tarso Genro acredita que não há 'fogo amigo' nas denúncias contra Palocci

Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse acreditar que os ataques contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Pallocci, são ações legítimas da oposição e não 'fogo amigo', conforme foi veiculado na imprensa conservadora paulistana, nos últimos dias.

Segunda, 23 de Maio de 2011 às 10:57, por: CdB
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Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse acreditar que os ataques contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, são ações legítimas da oposição e não 'fogo amigo', conforme foi veiculado na imprensa conservadora paulistana, nos últimos dias. – Eles têm que fazer esse tipo de fiscalização, mas entre ser uma ação política legítima para cobrar do ministro do governo algum tipo de informação e atribuir veracidade a elas, há uma distância muito grande – ponderou. Genro viajou a Brasília, para uma reunião de militantes petistas, em curso na Capital Federal. Na pauta do encontro, temas como reforma tributária e guerra fiscal deverão perder espaço para a primeira crise do governo Dilma. Para o ex-ministro da Educação e da Justiça e presidente do partido no momento mais obscuro de sua história, durante a crise do mensalão em 2005, o caso Palocci deve ser tratado e decidido por Dilma. Sem "a mínima simpatia" pelas ações de Delúbio Soares, Genro considera a volta do ex-tesoureiro ao PT como "inevitável". O governador afirmou também que a crise da oposição é "ruim para a democracia" e classificou a postura política do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso Cesare Battisti de "completamente equivocada". Enfrentando dificuldades para equilibrar o caixa gaúcho, Genro prepara um pacotão de medidas, sendo algumas impopulares, como a taxa de inspeção veicular, para tentar manter o ritmo da sua escalada política. Com o controle da legenda no Sul, ele busca mais espaço nacionalmente, mas é realista, apesar de sonhar com a Presidência. "Tenho 64 anos e devo pensar nos próximos 8 ou 12 anos. A realidade do PT hoje está centrada em dois nomes: Lula e Dilma". O caso Palocci, segundo o ex-ministro da Justiça, "se for discutido (durante o encontro), eu vou propor que se aguarde a orientação e as informações que vêm da própria presidente Dilma, que controla de maneira rigorosa o assunto. Eu não sei qual é a real acusação contra o Palocci e nem os dados das suas declarações de Imposto de Renda e fiscais". Tarso acrescentou que a série de denúncias contra Palocci é, "em princípio, é uma ação política da oposição e legítima inclusive". – A oposição tem que fazer esse tipo de fiscalização. Mas entre ser uma ação política para cobrar do governo algum tipo de informação e atribuir veracidade a elas, há uma distância muito grande. A fragmentação dos partidos oposicionistas, da forma como vem ocorrendo, para o governador gaúcho, "é muito ruim para a democracia" – Mas o que está ocorrendo com o DEM e o PSDB não é diferente do que acontece com o PMDB. Há uma dificuldade dos partidos de criar uma identidade política. O que falta no País é um centro democrático, estável e forte, com um projeto de nação, que nenhuma destas legendas preencheu de maneira coerente. O PSDB e o DEM não conseguem definir uma personalidade política, por isso as crises. O PMDB também não definiu, mas devido à sua atuação histórica e capacidade de resistência contra a ditadura militar ainda tem um acúmulo de prestígio – afirmou. Battisti Enquanto ministro da Justiça, Genro concedeu status de refugiado político a Cesare Battisti. A questão ainda está em aberto. – Eu tenho muito respeito pelo STF e todos seus ministros, mas isso não me impede de dizer que temos divergências. O STF violou flagrantemente a lei ao emitir uma decisão que não poderia ter emitido, pois as normas que estipulam o refúgio são absolutamente claras. Quando se concede um refúgio em nome da Presidência, que depois se confirmou, o processo de extradição é interrompido. Foi uma decisão completamente equivocada. O Supremo deveria ter libertado o Battisti – afirmou. Genro, no entanto, acredita que o refúgio político ao ex-ativista italiano está assegurado no Brasil. – O caso, por ser nebuloso, dá sustentação ao refúgio. Quando existe uma dúvida e o delito é político ou comum, ela favorece o réu e gera a convicção de que não poderia ser aplicada a legislação dos criminosos comuns. As acusações que lhe são atribuídas não estão provadas, pois eu estudei os processos. Qualquer tribunal não condenaria ele por falta de provas. O Battisti veio de uma família comunista e era um jovem border line entre a delinquência e a desinclusão social, vinculado a grupos de extrema esquerda violentos, reprimidos com legitimidade pelo Estado italiano. Está longe de dizer que não foi uma repressão política – concluiu. Tarso Genro falou com exclusividade para o sítio brasileiro de notícias Terra.
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