O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Tarso Genro, em visita ao Rio nesta sexta-feira, acredita que as denúncias do publicitário Duda Mendonça à CPMI dos Correios, nesta quinta, "são muito graves", embora não atinjam diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele considerou "compreensível" o fato de a oposição falar em impeachment, mas reitera a intenção de comandar uma frente de defesa ao mandato petista.
- Nós não temos nenhum fato, inclusive do próprio depoimento do Duda, que atinja diretamente o presidente da República. Nós do Partido dos Trabalhadores vamos defender o mandato do presidente e, combinado com essa questão da defesa, nós vamos exigir que as investigações se aprofundem cada vez mais - afirmou Tarso.
Tarso defendeu que não há legitimidade moral e jurídica para o pedido de "impeachment" do presidente Lula.
- Estamos em um estado de direito democrático. É um direito da oposição de comentar ou de propor, mas nós do Partido dos Trabalhadores vamos fazer todos os movimentos jurídicos, políticos, sociais para defender o mandato do Presidente da República - acrescentou.
Para Tarso Genro, as declarações mostram que havia uma articulação internacional totalmente irregular, "que tem que ser investigada nas suas raízes".
- Isso não é somente uma questão de natureza da legislação eleitoral, diz respeito a outras questões relacionadas com crimes de natureza financeira - acrescentou.
Duda Mendonça admitiu em seu depoimento que, além de receber pagamentos em dinheiro do empresário Marcos Valério, recebeu depósitos em Bahamas, país caribenho que possui leis que o transformam em paraíso fiscal. O próprio Valério teria sugerido a Zilmar Fernandes, sócia de Duda, que abrisse uma conta no exterior para receber o restante dos pagamentos.
De acordo com Duda, o empresário Marcos Valério era o responsável, por determinação do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pelo pagamento da dívida que o PT tinha com sua agência referente a serviços prestados durante a campanha eleitoral de 2002.
O dirigente do PT reiterou o apoio do seu partido ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ressaltou que cobrará o aprofundamento das investigações. Ele disse que é compreensível a manifestação da oposição sobre a abertura de um processo de "impeachment" contra o presidente, mas reafirmou a disposição do partido em defender o governo.