A inflação pelo IPCA manteve-se estável em março pelo terceiro mês seguido, mas em um patamar incompatível com a meta de inflação deste ano em razão principalmente de aumentos de preços administrados e monitorados.
Em março os núcleos subiram com mais força e a perspectiva de curto prazo da inflação ainda não é positiva, o que deve levar o Banco Central a decidir por mais uma alta de juros neste mês, disseram economistas.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,61% em março, a maior taxa desde dezembro, ante 0,59% em fevereiro. Analistas previam em média uma leitura de 0,59%.
- A inflação ficou concentrada nos preços administrados e nas tarifas - disse Eulina Nunes, técnica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As maiores contribuições para o mês vieram de ônibus urbano - 0,25 ponto percentual-, água e esgoto - 0,08 ponto-, telefonia celular - 0,01 ponto - e combustíveis - 0,04%. Segundo Eulina, os combustíveis subiram por conta de um realinhamento de preços em Curitiba e Fortaleza.
Em março, os preços de transportes substituíram os de educação como maior pressão. As tarifas de ônibus tiveram alta de 5,02% e contribuição de 0,25 ponto percentual, por reajustes em São Paulo e Porto Alegre. Em fevereiro, o maior impacto foi de cursos, com contribuição de também 0,25 ponto.
- Não teve nenhuma surpresa na alta dos grupos... Veio dentro das previsões... Não é um número confortável (em relação à meta), março normalmente é um mês baixo, mas agora tivemos os ônibus que pesaram bastante - disse Alex Agostini, economista da consultoria GRC Visão.
Os preços de alimentos avançaram 0,26% em março, contra 0,49% em fevereiro. Segundo Eulina, o índice ainda não captou o impacto da estiagem no sul, mas que isso deve ocorrer no curto prazo.
- Com clareza, ainda não identificamos o efeito da estiagem. O efeito (da queda) do dólar ainda é preponderante em itens como óleo soja, pão francês, trigo, macarrão e outros.
Ela acrescentou que, no ano, os produtos alimentícios com insumos em dólar, como os acima, acumulam queda de preços.
O IPCA acumula alta de 1,79% no ano. Os maiores vilões do primeiro trimestre são colégio, contribuição de 0,28 por cento, e ônibus - de 0,22%.
Além da provável pressão dos alimentos, o IPCA de abril sofrerá impactos de alta de ônibus no Rio de Janeiro, resíduos das tarifas de ônibus em São Paulo e Porto Alegre, energia em Belo Horizonte, telefonia e remédios, disse Eulina.
Os analistas ainda estão divididos sobre o IPCA de abril.
- Em abril estou mudando minha projeção para 0,69%, por conta desses aumentos recentes de tarifas (energia e telefonia) anunciados - afirmou Adauto Lima, economista do WestLB do Brasil.
Simone Pasianotto, economista do Bes Investimentos, prevê variação do IPCA entre 0,45 e 0,65% até o fim do ano, o que significa que a meta de inflação de 5,1% não será alcançada.
A economista sênior do Unibanco Asset Management, Sandra Petroncare, prevê em abril IPCA acima de 0,70%, fechando o ano em 6,2%.
Na quinta-feira, pesquisa da Reuters mostrou que o mercado estima em média uma inflação de 6,1% para 2005.
O núcleo por exclusão - sem alimentos em domicílio e preços administrados - passou de 0,93 %em fevereiro, para 0,41% em março. Em fevereiro, ele havia saltado por conta de educação.
O núcleo por médias aparadas com suavização passou de 0,60 para 0,62% e o sem suavização foi de 0,43 para 0,49%.
Os números foram calculados por economistas ouvidos pela Reuters, uma vez que o IBGE não os divulga.
- Os núcleos continuam acima da meta. Se você pega o 0,62% do núcleo de médias aparadas, anualizado fica em 7,7%, o que está acima do teto superior da meta, então é uma posição pouco confortável, é preocupante - afirmou Newton Rosa, economista-chefe do Sul América Investimentos.
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Tarifas pressionam IPCA em março, núcleos também sobem
Sexta, 08 de Abril de 2005 às 11:41, por: CdB