Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Tarcísio Cardoso se espelha no padrinho Cilinho para obter sucesso

Terça, 26 de Julho de 2011 às 05:58, por: CdB

Guilherme Franco
Especial para o site da FPF

Observador técnico de Otacílio Pires de Camargo, mais conhecido como Cilinho nas categorias de base do São Paulo, Tarcísio Cardoso, de 49 anos, tenta transferir as experiências adquiridas com o comandante para conquistar seu espaço no futebol paulista. Atual treinador do Tanabi, o mineiro de Paracatu revelou suas experiências como atleta profissional até a importância de ter trabalhado com figuras importantes do esporte brasileiro como João Avelino, Cilinho, Jorge Parraga e Júlio César Leal.

Apesar de ter nascido no interior de Minas Gerais, Tarcísio viveu grande parte de sua adolescência em Brasília, onde morava com a família. Contrariado pelos pais a buscar o sonho de se tornar jogador de futebol, o treinador chegou a recusar uma proposta do Cruzeiro após ser aprovado em uma peneira. Decidido a virar atleta, Tarcísio não desistiu e ingressou na categoria de base do Vila Nova de Goiás.

Ainda no Vila Nova (GO), o ex-atleta atuou pelo profissional onde foi bicampeão goiano, em 1981 e 1982. Tarcísio também jogou por Taquaritinga, Grêmio Catanduvense, Olímpia, Londrina e Bandeirante (PR). Como treinador, as melhores experiências de Tarcísio foram ao lado de Cilinho, onde virou observador técnico das categorias de base do São Paulo e Corinthians. Sete anos mais tarde, com a aposentadoria do amigo, ele seguiu seu caminho sozinho e passou por Taquaritinga, Guarujá, América de Rio Preto, Monte Azul, Galícia (BA), Guariba até chegar ao Tanabi.

Fã declarado do ex-companheiro Clilinho, Tarcísio não esconde a importância do treinador em sua vida profissional. “Além de ser uma pessoa sensacional, Cilinho prezava muito a organização em seu trabalho. Seu planejamento era impecável e todos no clube sempre gostaram muito dele. Ele é a grande inspiração da minha carreira. O considero a pessoa mais séria com quem trabalhei no futebol”, revelou o ex-atleta.

FPF: Como foi a decisão de contrariar a família e seguir o sonho de se tornar jogador de futebol?
Tarcísio Cardoso: Meus pais sempre quiseram o meu melhor. Como toda a família, eles gostariam que eu estudasse e fizesse uma faculdade. Cheguei a recusar uma proposta de um dirigente do Cruzeiro, mas o coração falou mais alto. Decidi deixar a minha família em Brasília e comecei no Vila Nova (GO). Foi difícil, mas sei que valeu a pena.

FPF: Qual foi o momento mais importante de sua carreira profissional?
Tarcísio Cardoso: Minha melhor fase como jogador foi no Vila Nova (GO). Venci dois Campeonatos Goianos e fui um dos destaques da equipe. Considero minha carreira como atleta pouco vitoriosa, entretanto as experiências que venho tendo como técnico me engrandeceu bastante na profissão.

FPF: Como foi a decisão de virar treinador?
Tarcísio Cardoso: Logo que encerrei minha carreira eu planejava virar técnico de futebol. Sabia que tinha potencial para alcançar o patamar dos grandes do futebol brasileiro. Graças a Deus tive a oportunidade de trabalhar com pessoas consagradas no ramo. Trabalhei com o Jorge Parraga, o Júlio César Leal, João Avelino e o Cilinho, que é a pessoa que me passou mais ensinamentos no futebol.

FPF: Como foi a parceria com o técnico Cilinho nas categorias de base do Corinthians e São Paulo?
Tarcísio Cardoso: Ele foi o meu padrinho no futebol. Lembro que dizia que apenas com um trabalho sendo realizado com seriedade é que se chegaria ao topo. Além disso, era muito humilde e sabia passar isso para os atletas. Até por ele ter trabalhado com o Telê Santana, talvez ele seguisse a mesma linha de pensamento. Ele repreendia qualquer garoto que comprava o carro da época ao invés de uma casa própria. Tanto no São Paulo, como no Corinthians ele era unanimidade entre os funcionários. Para mim, ele foi a pessoa mais séria do futebol.

FPF: Em sua passagem pelo São Paulo você teve contato com algum garoto que despontou no futebol mundial?
Tarcísio Cardoso: Trabalhei com diversos atletas que conseguiram marcar seu nome, mas passo todo o crédito para o Cilinho. Ele sabia qual jogador tinha um potencial diferenciado. Tanto o Hernanes, o Jean e o Denílson, que agora retornou ao São Paulo, são crias do Cilinho. Me lembro de um episódio com o volante Jean. Ele era um garoto bem cabisbaixo, pois estava no refúgio, que não é nem a equipe profissional e tampouco o time da base. Falei para ele que sabia de seu potencial e que sua hora ia chegar. Hoje fico muito contente com o momento que ele vive no São Paulo.

FPF: Como você enxerga o trabalho nas categorias de base dos clubes brasileiros?
Tarcísio Cardoso: Eu não vejo mais os treinadores de base lapidando e aconselhando os atletas para o futuro. O futebol começou a gerar muito dinheiro e isso vem cegando qualquer profissional. Para mim, a função de técnico da base é mais importante que do profissional, pois é onde você cria a identidade do jogador. Quando um treinador critica ou um cruzamento ou um passe de seu atleta, é fruto do trabalho mal realizado nas categorias de base.

FPF: Você tem alguma história inusitada nesses 49 anos ligados ao esporte?
Tarcísio Cardoso: O mais engraçado que me lembro é do tempo em que fui treinado por João Avelino. Ele enchia as bolas que usávamos no treinamento com areia e obrigava os atletas a fazer embaixadinhas. Ele era um técnico que tinha uma relação muito complicada com os atletas, mas sempre gostei de seu trabalho e principalmente o ser humano que ele é.

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