Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Tantos juros por tanto tempo, um beco sem saída

Desde o tempo do confisco do Collor venho tentando alertar sobre o viés recessivo da política de aperto monetário e os estragos dos juros extorsivos na economia popular. Quanto mais se prolongar essa política imediatista, mais difícil se torna a saída do atoleiro das dívidas. Economistas que não sabem segurar a inflação sem prejudicar o crescimento, também não saberão deixar o país crescer sem fazer a inflação voltar. (Leia Mais)

Segunda, 27 de Junho de 2005 às 19:04, por: CdB

Desde o tempo do confisco do Collor venho tentando alertar sobre o viés recessivo da política de aperto monetário e os estragos dos juros extorsivos na economia popular.

  Quanto mais se prolongar essa política imediatista, mais difícil se torna a saída do atoleiro das dívidas. Economistas que não sabem segurar a inflação sem prejudicar o crescimento, também não saberão deixar o país crescer sem fazer a inflação voltar.

O governo brasileiro é um devedor que faz questão de pagar juros absurdos.
Bem, quem paga é o povo. O pagamento dos juros não sai do bolso dos governantes. Pelo contrário, os que mandam no país são do time que tira proveito dos juros.

A situação atual parece boa: dólar baixo, saldo comercial elevado, inflação sob controle, e até um crescimento.

Depois de tantos males que causaram ao país, os economistas que mandam no governo, chegam a atribuir-se o mérito por esse crescimento que se deve apenas à conjuntura mundial favorável e ao potencial do Brasil que ainda está agüentando a sangria dos juros e os estragos do desemprego. A pequena melhora atual não surgiu por causa da política econômica do Malan e do Meirelles, mas apesar dela.

Acontece que estão fazendo o controle da inflação com juros cada vez mais absurdos, chegando a dizer que precisam segurar o consumo para segurar a inflação. Não querem mesmo o aumento do poder de compra da população?

Ainda bem que a distribuição de recursos nos projetos sociais e o aumento do salário mínimo estão contribuindo para aumentar o consumo interno e ajudando assim a produção e a economia do país, reforçando o efeito das exportações.

Mas o Banco Central temeroso continua pisando no freio dos juros. Diante das exportações ainda crescendo, apesar do Real supervalorizado, alguns chegam a dizer que o dólar baixo não prejudica as exportações. Na realidade, alguns setores já estão com dificuldades para exportar, e a importação de produtos baratos já vem atrapalhar de novo a nossa indústria e agricultura.

Em vez de adotar medidas que aumentem a nossa competitividade, querem brigar com a Argentina e com outros, até com a China que pode tornar-se o maior comprador de produtos brasileiros. Em vez de fazer o dever de casa, querem exigir que outros adotem medidas para diminuir a competitividade deles.

Para limitar a entrada de produtos de fora, setores do governo querem adotar as mesmas cotas e taxas que criticam nos outros, em vez de adotar um câmbio mais adequado e aliviar o peso dos juros, dos impostos, da burocracia, da corrupção.
Será que o Brasil, além de ser campeão de juros, é campeão de corrupção? Em impostos e em burocracia também estamos entre os primeiros.

De uma coisa tenho certeza: A culpa do nosso atraso não é da natureza, tão generosa com esta terra. Também não é dos Estados Unidos do FMI. Recebendo deles o mesmo tratamento que nós, outros países souberam crescer. Chega de esperar de outros a solução dos nossos problemas!

A valorização do Real é resultado do dinheiro que entra com as exportações e do capital especulativo atraído pelos juros que o Brasil oferece. O dólar barato agrada aos ricos que gostam de viajar e gastar dinheiro lá fora. Ajuda a segurar a inflação, mas vai voltar a prejudicar a balança comercial, a produção nacional, o crescimento, os investimentos e o emprego, reforçando os efeitos perversos dos juros.

Cada vez mais aparecem denúncias de corrupção. Pode ser um bom sinal, se não foi a corrupção que aumentou, mas o combate contra ela. Infelizmente, a vontade de apurar e combater diminui, quando denúncias atingem pessoas ligadas ao governo, amigos do alheio e amigos do poder.

Juros altos trazem dinheiro, mas o capital especulativo vai embora ao primeiro sinal de crise, engordado com os lucros fabulosos que o Brasil oferece.

Não adianta criticar a ação dos especuladores. Estão fazendo o papel deles. Por que não deveriam aproveitar as

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