Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Tambores e sinfônica abrem Carnaval multicultural em Recife

Sábado, 21 de Fevereiro de 2004 às 07:11, por: CdB

Nada de preconceito rítmico, essa é a proposta do Carnaval multicultural de Recife. O tom da folia começou com um concerto na noite da sexta-feira unindo 350 batuqueiros e 78 instrumentistas da Banda Sinfônica da cidade, no evento que marcou a abertura oficial da festa na capital pernambucana.

``Todo tambor transmite o som da terra'', apregoou várias vezes durante o espetáculo o pernambucano Naná Vasconcelos, percussionista responsável pela regência geral e pela reunião dos batuqueiros de 11 nações de maracatu.

Para o regente da banda, o maestro Nenéu Liberalquino, ``foi um desafio a fusão desses dois mundos diferentes: o maracatu e a sinfônica''. E o resultado agradou à platéia que se surpreendeu com o repertório.

``Xaxado'', de Luiz Gonzaga, o Hino Nacional e ``Praiera'', de Chico Science, sensibilizaram o público. O delírio da multidão, entretanto, veio com as interpretações de ``Vassourinhas'' (de Matias da Rocha, um dos frevos mais populares do País) e de ''Trenzinho Caipira'' (um clássico de Vila Lobos).

As irmãs gêmeas e pernambucanas Mariana e Silvia Barreto não conseguiam disfarçar o pasmo com o concerto. ``Nunca imaginei que clássico e maracatu pudessem dar certo juntos'', afirmou Mariana. ``Nem eu, ficou bom demais'', completou Silvia.

Na opinião de um turista argentino, que pela segunda vez vem a Pernambuco para brincar o Carnaval, a idéia foi genial. ''É muito precioso o mix do ritmo africano com a música erudita'', disse Alfredo Gonzalez, acrescentando que a pluralidade de manifestações culturais foi o principal motivo de seu retorno ao Estado.

Com frevo, maracatu, caboclinho, ciranda, coco, samba, reggae e manguebeat, entre outras tendências musicais, para fixar a marca de terra do Carnaval multicultural, a prefeitura de Recife investiu R$ 8 milhões.

Até a Quarta-Feira de Cinzas, mais de uma centena de artistas vão se apresentar em shows por toda a cidade. São 12 quilômetros quadrados de área destinada à folia apenas no centro da capital, além de outros 33 pólos de diversão espalhados nos bairros.

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