Oito afegãos mortos, nenhum norte-americano, e 35 civis feridos. Esta foi o saldo de mais um ataque suicida com carro-bomba contra as tropas dos Estados Unidos, no aeroporto da capital do Afeganistão, na quinta-feira, segundo um porta-voz da Otan. Os quatro soldados norte-americanos que estavam no veículo, alvo do ataque, sofreram apenas pequenos cortes e arranhões. O Talebã reivindicou a autoria do atentado.
"As forças de ocupação estrangeiras e seus escravos afegãos devem se preparar para os ataques suicidas e de guerrilha dos mujahideens neste verão. Esse ano novo será o mais sangrento", disse o porta-voz Zabihullah Mujahid por telefone de um local não revelado. O grupo extremista islâmico ameaça atacar a capital Cabul com novos ataques suicidas na campanha que realizam para derrubar o governo pró-Ocidente e de expulsar as tropas estrangeiras.
Ano passado, o Talebã promoveu cerca de 140 ataques suicidas em todo o país, mas as forças estrangeiras melhoraram sua capacidade de evitar baixas resultantes desses atentados, que têm vitimado cada vez mais civis e integrantes das forças de segurança afegãs.
Ataque na fronteira
A quilômetros de Kandaar, forças estrangeiras no Afeganistão mataram quatro civis paquistaneses, inclusive duas crianças, com disparos feitos através da fronteira, disseram militares paquistaneses na quinta-feira. Cerca de 2 mil moradores protestaram contra o bombardeio, ocorrido na noite de terça-feira na região do Waziristão do Norte, reduto de militantes que combatem os governos do Paquistão e Afeganistão, ambos aliados dos EUA.
- Eles dispararam cinco rajadas que caíram em nosso território, e nisso uma casa foi destruída, resultando na morte de duas mulheres e duas crianças - disse o general paquistanês Athar Abbas.
O Paquistão apresentou um protesto "muito forte" às forças internacionais no Afeganistão. A casa atingida ficava a cerca de 2 quilômetros da fronteira, segundo Abbas. Um porta-voz da força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão disse desconhecer o incidente. Já a força comandada pelos EUA (independente da Otan) admitiu ter havido disparos contra o Paquistão, na madrugada de quarta-feira, em resposta a uma ameaça de militantes islâmicos.
- As forças da coalizão de fato usaram munições guiadas com precisão em resposta a uma ameaça iminente da rede (ligada ao veterano militante Jalauddin) Haqqani - disse o major Chris Belcher, acrescentando não ter nenhuma "avaliação dos danos da batalha", ou seja, informações sobre danos e vítimas.
O Paquistão, importante aliado dos EUA na "guerra ao terrorismo", vem tentando conter a infiltração de militantes do Waziristão do Norte e outras regiões fronteiriças para dentro do Afeganistão. Mas o apoio paquistanês aos EUA é profundamente impopular, e Islamabad não autoriza oficialmente as forças norte-americanas a entrar no Paquistão ou atacar militantes no seu território, embora aviões teleguiados dos EUA sabidamente já tenham lançado mísseis contra militantes no lado paquistanês. Só nas últimas semanas foram dois ataques desse tipo.