Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Talebã paquistanês anuncia retirada de vale estratégico

Sexta, 24 de Abril de 2009 às 07:55, por: CdB

Um comandante do Talebã paquistanês ordenou que seus homens deixem a localidade de Buner, disse um porta-voz na sexta-feira, em meio à crescente preocupação nos EUA com o avanço do grupo islâmico em direção à capital do país, Islamabad. Muslim Khan, porta-voz do Talebã paquistanês, disse que havia cerca de cem combatentes em Buner, um vale a apenas 100 quilômetros de Islamabad.

– Nosso líder ordenou que o Talebã seja imediatamente chamado de volta de Buner – disse Khan à Reuters.

Khan pertence à facção liderada por Fazlullah, comandante taliban no vizinho vale do Swat, onde o governo cedeu às exigências dos militantes quanto à imposição da lei islâmica.

Ele disse que representantes do governo e do Talebã estão a caminho de Buner para transmitir aos combatentes a mensagem de que eles devem deixar a área. O clérigo radical Maulana Sufi Mohammad, que mediou o acordo no Swat, também participa da missão.

Na semana passada, Khan declarou que a Al Qaeda receberia abrigo nas terras sob o controle do Talebã.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que o Paquistão errou ao abdicar da sua autoridade no Swat em prol do Talebã. Já o secretário de Defesa, Robert Gates, pediu aos líderes paquistaneses que tomem providências contra inimigos que constituem uma "ameaça existencial" ao Estado.

Neste mês, o Parlamento venceu a relutância do presidente Asif Ali Zardari e o obrigou a assinar a regulamentação da sharia (lei islâmica) no Swat, a fim de pacificar o Talebã. Animado com essa vitória, o grupo passou na semana passada do Swat para Buner, provocando alarme devido à sua aproximação da capital. O governo e a oposição relutam em aceitar o uso da força no Swat, gerando dúvidas sobre a disposição e capacidade do Exército para enfrentar os militantes.

O primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani desafiou o Parlamento a demonstrar "coragem moral" para combater o Talebã, e rejeitou a preocupação de que os militantes representariam um risco à segurança do arsenal nuclear paquistanês.

– A defesa do país está em mãos fortes, e nosso programa nuclear está em mãos seguras – afirmou.

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