A polícia de Taiwan afirmou que o atentado contra o presidente Chen Shui-bian, ocorrido às vésperas das eleições nacionais do ano passado, foi realizado por um desempregado que se matou dias depois do ataque, afogando-se.
O suspeito, Chen Yi-hsiung, agiu provavelmente por estar descontente com o governo e deixou um bilhete suicida afirmando que desejava livrar sua família de um fardo, disseram investigadores nesta segunda-feira.
- Ao analisar as balas, Chen Yi-hsiung surge como o principal suspeito", afirmou em uma entrevista coletiva Hou Yu-ih, comissário da Agência de Investigações Criminais.
Quando questionado sobre se o caso havia sido resolvido, Hou respondeu:
- O quadro geral já está bastante claro.
Segundo o policial, novas investigações tentariam encontrar a arma usada no ataque.
Chen Shui-bian conquistou um segundo mandato de quatro anos por uma pequena margem de votos um dia depois de ter sido atacado. Partidos de oposição disseram suspeitar que o atentado seria parte de um plano para atrair votos de solidariedade para o candidato.
Mais de 500 mil pessoas reuniram-se nas ruas próximas do gabinete presidencial nas semanas que se seguiram às eleições exigindo uma investigação imparcial sobre o atentado.
O Partido Nacionalista, maior da oposição, rejeitou a versão oficial para o incidente, apresentada nesta segunda-feira.
- Essa exposição é uma tentativa de instilar credibilidade junto ao povo. Ela pode se transformar em uma desculpa para não continuar investigando - afirmou Chang Jung-kung, porta-voz do partido.
Muitos devem apontar para a falta de provas ligando Chen Yi-hsiung ao ataque - a arma não foi encontrada, ele está morto e a família ou rasgou ou queimou os bilhetes suicidas deixados por ele.
Mas a polícia tem imagens do suspeito correndo da cena do atentado e ele teria mantido um diálogo com sua mulher dando indícios de que teria sido o responsável pelo disparo realizado contra o presidente.