Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Taiwan desafia China e autoriza visita do Dalai Lama

O governo de Taiwan aprovou uma visita do Dalai Lama na próxima semana para confortar os familiares das vítimas de um violento tufão, o que atraiu imediata condenação de Pequim, para quem a presença do líder espiritual budista ameaça "sabotar" a relação entre os dois governos. China e Taiwan, separados há mais de 60 anos, têm mantido uma relativa reaproximação, especialmente em questões comerciais e de investimentos.(Leia Mais)

Quinta, 27 de Agosto de 2009 às 08:40, por: CdB

O governo de Taiwan aprovou uma visita do Dalai Lama na próxima semana para confortar os familiares das vítimas de um violento tufão, o que atraiu imediata condenação de Pequim, para quem a presença do líder espiritual budista ameaça "sabotar" a relação entre os dois governos.
China e Taiwan, separados há mais de 60 anos, têm mantido uma relativa reaproximação, especialmente em questões comerciais e de investimentos.

"Não importa sob qual forma ou identidade o Dalai entre em Taiwan, nos opomos resolutamente a isso", disse o departamento chinês de Relações com Taiwan, em nota divulgada pela agência oficial Xinhua.

"Algumas das pessoas do Partido Democrático Progressista usam o resgate após o desastre como pretexto para convidar o Dalai a Taiwan e sabotar a tão arduamente obtida situação positiva nas relações através do estreito (que separa a ilha do continente)", disse a nota.

Pequim considerada o líder espiritual tibetano que vive no exílio um separatista e condena suas viagens pelo exterior.

Um assessor do Dalai Lama na cidade indiana de Dharamsala disse que o líder espiritual gostaria de visitar Taiwan, e que uma data estava sendo agendada.

– Queremos deixar muito claro que o Dalai Lama está visitando Taiwan para manifestar condolências às vítimas e comandar orações – disse Tenzin Taklha.

De qualquer forma, analistas afirmam que provavelmente a China não deve dar nenhum passo contra Taiwan que possa prejudicar as crescentes relações econômicas entre os dois rivais.
Ao recriminar o Partido Democrático Progressista, e não o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, ou o governista Partido Nacionalista, Pequim indica que não deseja levar o assunto adiante.

– Pequim ficará um pouco desconfortável, mas se eles entendem como o desastre foi grave, eles vão mostrar algum respeito ao povo de Taiwan – disse à Reuters Wu Den-yih, secretário- geral do Partido Nacionalista de Taiwan.

Cerca de 650 pessoas podem ter morrido após a passagem do tufão Morakot entre 7 e 9 de agosto, o pior a atingir a ilha nos últimos 50 anos.

A China reivindica soberania sobre Taiwan desde 1949, quando as forças de Mao Tsé-Tung ganharam a guerra civil chinesa e os derrotados escaparam para a ilha. Pequim promete recuperar o controle de Taiwan, mesmo que seja necessário usar a força.

Mas Pequim sabe também que qualquer reação agressiva contra o Dalai Lama pode ser aproveitada por adversários taiwaneses do presidente Ma, que tenta atenuar as tensões com a China comunista.

Funcionários da presidência taiwanesa, criticada pela suposta demora em reagir ao tufão
Morakot, e dos serviços de segurança nacional passaram cinco horas reunidos na noite de quarta-feira e decidiram autorizar a visita do Dalai Lama, segundo o Gabinete de Informação do Governo.

Permitindo a visita, Ma passa a impressão de que não age apenas levando em conta suas relações com Pequim, disse Hsu Yung-ming, professor de Ciência Política da Universidade Soochow.

– Ele não quer que as pessoas achem que só liga para a China, (quer que pensem) que ele também liga para Taiwan – afirmou.

Taiwan, onde há uma grande comunidade de exilados tibetanos e milhões de seguidores do budismo, já autorizou visitas do Dalai Lama em 1997 e 2001.

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