As autoridades restauraram a ordem na quinta-feira em Bangcoc, mas a situação ainda é tensa, um dia depois de o Exército ter ocupado o acampamento da oposição, desencadeando graves incidentes na cidade. Os "camisas vermelhas", que durante semanas se instalaram num acampamento fortificado num bairro nobre da cidade, agora se dispersaram. Centenas deles, que haviam se refugiado num templo, foram retirados pela polícia. Seis cadáveres foram encontrados no local.
"A democracia não pode ser construída sobre a vingança e o ódio", disse pela TV Veera Musikapong, presidente da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura, nome oficial dos "camisas vermelhas". Veera, que está preso, pediu a seus seguidores que voltem para suas casas. Durante a noite, os soldados enfrentaram uma feroz resistência de cerca de 1.500 pessoas, algumas armadas, que estavam no templo. Pela manhã, o confronto havia terminado. As manifestações pela realização de novas eleições no país começaram em março. Inicialmente eram pacíficas, mas gradualmente a situação foi piorando, até os caóticos confrontos deste mês. Agora a Tailândia parece entrar em um novo capítulo da sua história social e política.
"A crise das últimas semanas (...) só aprofundou as divisões dentro da Tailândia, o que irá sustentar tensões políticas e levar a ataques políticos oportunistas", disse Roberto Herrera-Lim, diretor para Ásia da consultoria nova-iorquina Eurasia Group.
Os incidentes afetaram o lucrativo setor turístico do país, responsável por 6% do PIB local e 15% dos empregos no país. O Departamento Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social estima que as nove semanas de crise tenham custado ao país cerca de 3 bilhões de dólares, ou 1 por cento do PIB.
Analistas agora esperam os próximos passos do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, que para alguns pode ficar definitivamente marcado por ter sido o responsável máximo por operações militares que deixaram 82 mortos, a maioria civis, desde 10 de abril. Nesse período, quase 1.800 pessoas ficaram feridas. "Ele está mais do que marcado. A despeito de todas as circunstâncias atenuantes, ele será sempre lembrado como o homem cuja incursão mal calculada levou a uma Bangcoc em chamas", disse Michael Montesano, do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático, de Cingapura.
Abhisit tem apoio dos militares e da elite tailandesa, enquanto os "camisas vermelhas" são em geral pobres de origem rural, seguidores do ex-premiê Thaksin Shinawatra. O ex-primeiro ministro foi flagrado nesta quinta-feira fazendo compras, no centro de Paris, sem demonstrar preocupação pelos acontecimentos recentes em seu país.
Thaksin Shinawatra está na França, de acordo com o governo francês, a convite de um instituto de estudos políticos francês para participar de um seminário com jornalistas, no dia 31 deste mês.